"Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim."
Sigmund Freud


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11.11.08

POWER

Pensativa - tela de Sima Woiler

Ah... Homem, ser pensante .
Mais feliz serias se fôsses
como as flores, animais, ou pedras.
Dizer-me podes: pecas!

Não me importo que me julgues.
Queria mesmo - por breve momento -não pensar.
Descansar minha mente.
Apagar.

Às máquinas,
alguns têm nos assemelhado.
Qual nada!
Falta-nos botão:
POWER!

Não se trata de morte
ou estado vegetativo.
Alienação? Não...
Trata-se de vida.
Melhor vivida [?].

Não me lembro de tal descanso
nem quando durmo;
se, no sonho -
"mal vividamente" - penso
e amanheço...

Eu... Eu só queria não pensar...
Mas no silêncio ou na voz,
é só o que faço.
Será então - Deus -, que "logo existo"
de fato?









Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google Imagens

10 comentários:

Marcelo Novaes disse...

Tania,


Belo texto-indagação.

Lembro-me de uma fala de Juca de Oliveira, há cerca de dez anos, numa entrevista: "O ser humano, enquanto projeto coletivo, está falido". Não entrarei nas longas razões e análises de tal criatura do bem. Só te digo que ele dizia: "Sou órfão de Konrad Lorenz, pai da etologia, que nos mostrava os erros crassos do projeto coletivo social humano". Etologia estuda comportamnetos gregários em todos os campos, animais e humanos.


Bom... Indivíduos, por esforço, choque, razões pessoais ( devoção é esforço + Graça, então tudo tem a variável individual...)podem achar Power, pause, eject, play, off, pra várias coisas. Grandes grupos?! A lei de inércia faz com que demore muito mais para que ocorra. Muito mais. As acomodações coletivas pendem para o chão. Não para o Teto.


Parabéns pelo texto.


Beijos,





Marcelo.

Marcelo Novaes disse...

Power= Autopoiesis

Autopoiesis:



O segredo é bater o tambor para si
mesmo, marcando o ritmo de uma marcha marcial, cujas pausas
sejam tão significativas quanto
a guerra, cujos passos sejam tão
decididos quanto a paz dos não
nascidos.



O segredo é fazer-se ouvir nas
entrelinhas do silêncio, mesmo
quando se está sozinho, não perdendo o fio, não perdendo a linha de raciocínio, não desgarrando-se do poema, mesmo que o mundo jamais venha a saber de nada disso.




Marcelo Novaes




Beijos.

Taninha Nascimento disse...

Oi, Novaes!!

Como se pode definir um ser vivo?
[risos]...

Nossa... Muito obrigada pelos comentários tão bem estruturados, pertinentes e [cirurgicamente]precisos.

Grande abraço e beijo, meu amigo.

Taninha

Taninha Nascimento disse...

Ah, sim!

Cirurgicamente e poeticamente precisos...

Bjs!!

Paulo Tamburro disse...

Taninha, depois que eu descobri que os todos os gênios são humildes, resolvi ser mais um...humilde.É os seguinte: minha relação com a poesia é um estupro literário.Não sei se é porque a prosa me viciou e escravizou, mas realmente,eu sofro de um sentimento de culpa e pecado quando lido com a poesia, inexplicáveis.
E principalmente com os poetas.Vejo sempre os poetas como seres extraterrenos.E adoro ufologia!!!
Na prosa dediquei-me ao humor, e talvez por esta dupla insensatez, a poesia para mim é sempre tão inatingível, que fico achando que o meu gande mal foi ter conseguido ler de "cabo a rabo " a Divina Comédia de Dante.Ou talvez eu esteja sempre fugindo da minha real identidade.É, pode ser isto!

Taninha Nascimento disse...

Puxa,Paulo...

Humilde , mesmo, hein!!



Não se sinta culpado por amar tanto a poesia assim.

A prosa, há de não se enciumar dela... A convivência é perfeitamente pacífica.[risos]

Beijos,
muito obrigada por mais uma visita.

Taninha

KA disse...

Taninha,
A cada poema mais admiro seu estilo, seu jeito de escrever: "Power", é o exemplo disso.
Ainda bem que existe "ser pensante", pois a maioria é totalmente alienada, com ou sem power. E você consegue extrair desse pensar-não pensar um questionamento que nos faz refletir sobre essa vida, vivida?. Ou suportada.
Mas a vida é bela e merece ser vivida e questiona, principalmente através de belos poemas como o seu.
Parabéns!

Taninha Nascimento disse...

Olá, KA!

Muito obrigada.

Que o pensar - não pensar possa , sempre, nos levar ao botão certo no momento exato. Ainda que precise ser mesmo o power.

Grande abraço pra você!

Taninha

Hercília Fernandes disse...

"Penso, logo existo"...

O nosso pensar também é fruto das mudanças, a subjetividade e racionalidade humana não é, somente, pertinente ao "eu-individual", mas também de um "eu-no-outro", assim vai...

"Existo, logo penso"... penso que temos que refletir a nossa maneira atual de pensar e interagir: Será que não estamos nos distanciando da consciência ao cairmos no mito da individualidade?

Fica o questionamento.

Muito bom amiga. Adorei a questão [sofia] apresentada.

Beijos, Hercília.

Taninha Nascimento disse...

Oi, amiga!

O "eu-no-outro" ou "eu-individual", muitas vezes, se fundem, se confundem e se conflituam em nossa existência...

Buscar o equilíbrio entre ambos é a questão que , muitas vezes "funde a cabeça" que deseja um botãozinho: power! rssss...

Obrigada pelo comentário!!

Beijos, querida.

Taninha