quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Blue moon






Nas vastas terras de meu travesseiro,
encosto meu ouvido
e ouço o afastar dos cascos dos cavalos
que os levaram - todos.

O solo vai me fazendo esquecer o som - que já se foi -
e me convida ao sono entre folhas e gravetos secos.
Adormeço sob a lua azul.

Necessito descansar desse cansaço tão incômodo...

Quando acordar,
farei de tudo a minha volta um ramalhete
e me darei de presente em agradecimento
- especial - a permissão de sua ida.

Sinto o perfume e o abraço gelado
da solidão.

Mas tudo parece bem.
Tudo parece bom.



Por Tania Anjos

Imagem disponível no Google





Nas vastas terras
de meu travesseiro,
encosto meu ouvido
ouço afastar dos cascos
dos cavalos corsos
que os levaram - todos-todos



Do torso e de meu poleiro
de velho herege e falcoeiro
invejo ninfas e vejo pombos
vejo um braseiro plano piano
e o travesseiro bolero bolano
por ond'ando vulgo eu e dano
em noite mundana de faena
de fim-de-ano ,
a minha'avena
é se terno fiquei e se poema
m'desenterra em noite terna
de lua-cheia.
nas vastas terras de rua
que minha'ma crua persegue
sendo tantas são poucas sempre
e sendo tuas são belas
as cavalgadas por onde
o meu ego te persistem e perseguem
seja em brisa ou cavalos de vento
ou voos de aves rasantes
mas é alma minha sempre



Jorge Santos



Sexta-feira, 04 Dezembro, 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Noite sem luar- Beto Guedes





Vi no horizonte azul a tarde desmaiar
E a noite aproximar
Enchendo de tristeza a solidão do mar
Roubando à natureza a luz crepuscular

E à sós no meu jardim cismava a divisar
Na noite sem luar
A vela que singrando
O oceano imenso
Levava para o além o meu querido bem

Foi que então veio a saudade e eu chorei
Depois com lágrimas nos olhos eu jurei
Jamais prender-me por amor
No cárcere cruel da dor.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Palidez








O meu mal estar ou estar mal não me tira a lucidez.

Tira-me a ação.
Engessa-me.
Põe-me em casulo:


borboleta em retrocesso;
lagarta em palidez.




Por Taninha Nascimento
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Citação

"Escrever é um sofrimento".



Claude Lévi-Strauss





Mas a mim, me "salva"...
[...às vezes...]

Taninha Nascimento

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Confidente


Van Gogh - Noite Estrelada








Eu queria ser confidente tua
e ouvir-te calado.
Lendo em teus olhos fechados
as razões de tua mente
que vaga à noite buscando o
sentido das coisas grandes e pequenas;
apenas por percebê-las parte da vida
vivida ou não.
Confidente tua eu queria ser...
E, talvez, sentir o sabor do sal
em filetes que brotam das rochas verdes
esculpidas sobre o carrara, onde teu perfil
de senhor e dono se enternece
à melodia suave do silêncio das noites rasas
ou profundas.



Por Tania Nascimento










"O ser que sei não sou"



Tanto e tanto do que sei,
Sei-o - nem como nem sei -
Do ser que sou e prevejo,
D’um vulgo e curto bocejo,
No ser fiel de mim mesmo,
Não no eu e que escrevo,
Se de meu não suporto,
Certo enigma do desejo.



Tanto e tanto do que sei,
Sonha com o pior vento,
E causa de tudo q’temo,
Ser narrado, a propósito,
Do’eu ter fome no infinito,
Seja vencedor, ou vencido
Nos planos da derrota.



Tanto e tanto do que sei,
Foi ser, do medo, carcereiro,
Quando m’sonhei infanto,
Encarnando o ponto q’traço,
Mas, sendo curto, o braço,
E o seixo, pesado, nã’não sei
Se vida, é ilusão ou, se sonhei
Eu, mais uma vez, acordado.







Jorge Santos



Sexta-feira, 04 Dezembro, 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Poesia da Vida in ABBA: The winner takes it all

Mamma Mia! é um musical adaptado do livro da dramaturga britânica Catherine Johnson, baseado nas canções do grupo pop sueco ABBA, compostas por Benny Andersson e Björn Ulvaeus. O enredo é adaptado do filme Buona Sera, Mrs. Campbell, de 1968, estrelado por Gina Lollobrigida.

Apesar do nome do espetáculo ser retirado da música homônima, de 1976, a trama é ficcional e não a biografia dos músicos nem da carreira do ABBA. Ele conta a história de Sophie, uma garota de 20 anos prestes a se casar, que vive com a mãe, Donna, numa ilha da Grécia, e que não conhece seu pai. Achando o diário da mãe, descobre que ela teve um relacionamento com três homens diferentes num curto período de tempo, logo antes de seu nascimento e que pode ser filha de qualquer um dos três. Resolve então convidá-los todos para seu casamento, para tentar descobrir qual deles é seu verdadeiro pai, que nem sua mãe sabe ao certo.

Björn Ulvaeus e Benny Andersson, que compuseram as músicas originais, estiveram envolvidos no desenvolvimento e produção do musical desde o início. Anni-Frid Lyngstad, cantora e integrante do grupo, participou financeiramente da produção, enquanto a quarta integrante, a loira vocalista Agnetha Fältskog, não teve nenhuma participação, mas esteve presente na estréia do musical em Estocolmo, quando os quatro ex-membros da banda se reuniram pela primeira vez em vinte anos.

O musical inclui, na trilha sonora, grandes sucessos mundiais do ABBA como "Super Trouper", "Dancing Queen", "Knowing Me, Knowing You", "Thank You for the Music", "Money, Money, Money", "The Winner Takes It All", "Voulez Vous", "I Have a Dream" e "SOS", além da canção título. Em 2007, mais de 30 milhões de pessoas ao redor do mundo - 4 milhões apenas em Londres - já haviam visto o musical, que acumula uma bilheteria total internacional de U$2 bilhões desde sua estréia, em 1999, sendo o financeiramente mais bem sucedido da história[1]

O sucesso do musical levou à produção do filme Mamma Mia!, com Meryl Streep, Pierce Brosnan, Colin Firth,Amanda Seyfried, entre outros, lançado nos Estados Unidos em julho de 2008 e, em Portugal e no Brasil, em setembro do mesmo ano, arrecadando mais de U$500 milhões em todo mundo

[http://pt.wikipedia.org/wiki/Mamma_Mia!]




Entretanto, o que me mais me tocou foi a poesia forte dessa letra tão conhecida e antiga - e cena como um todo - na interpretação de Meryl Streep.



domingo, 25 de outubro de 2009

Melancolia do Tempo










Captura o Tempo a Vida.
Ela o prende em seu olhar
por brevíssimos segundos .



Segue o Tempo
levando consigo essa saudade
e, dela falando em toda parte...



Eis a razão da memória:
saudade da Vida.



Eis o motivo da chuva:
melancolia do Tempo




Por Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google Imagens











Seis os motivos das chuvas,
porque o meu coração cala quando para,
porque a minha respiração enfurece quando galopa porque a minha pulsação cresce quando m'imola na rocha crua,
quando creio na chuva e no frio e esfrego de chuvas fortes o peito e nestes cadernos lavados em lágrimas esfrego o delírio e os amados motivos das cheias e d'aguas pequenas.


Jorge Manuel Mendes dos Santos

sábado, 26 de setembro de 2009

Razões



















Em cada ser, suas razões.
Sendo estas a empreender-lhe ações.
Isto, por fim, explica quase tudo.

O que resta - de inexplicável  -
está na opção por não se perceber
as razões alheias.

Estas, então, menores,
fazem toda a diferença.

A isto chamamos balança.
Ou justiça.









Por Taninha Nascimento

domingo, 13 de setembro de 2009

O Cântico dos Cânticos




Eu vejo o mundo mais alto que o mais alto andar do edifício. Não me perco em beijos. [Ósculos]. E largo silêncio inauguro. Mas não fecho os olhos. Nem temo os pés às pedras ou pedregulhos. Sinto, em minhas costas, o peso. Mas não me curvo. Nem quando sobre o esquerdo ombro me pousa o negro corvo. Meu nome se derrama: óleo que se infiltra pelas pregas do solo. Melhor. Assim não escorrego onde piso. Assim perfumo o próprio percurso. Mas me pergunto: amanhã, quem se lembrará da cor do vinho?! Amanhã, quem se lembrará das palavras da esposa ao esposo?!







Marcelo Novaes

http://notaderodape-marcelo-novaes.blogspot.com/2009/09/o-cantico-dos-canticos.html

domingo, 30 de agosto de 2009

Cotidiano







O que menos importa da vida é o tempo ou qualidade.
A sobrevivência de cada dia faz a sua parte.
A opção é difícil num não se dar conta.
Apenas se quer anoitecer e amanhecer nesse cenário;
nesse meio tempo; entre vaias e aplausos.
Agoniza-me dos dois espaços fazer parte.
Palco e platéia -
até que, definitivamente, cerrem  as cortinas.






Por Taninha Nascimento

sábado, 22 de agosto de 2009

Parti

Tela: Além da Janela
Neiva Passuelo



Sim, há uma ausência.

E como quem procura a lógica
saio ao encontro
da possível existência de mim.

Sem mais,
parti.








Por Taninha Nascimento
Imagem:

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Passado - ausências em mim...





Não, o passado não existe!!
e, sinceramente,
isso não é o que me deixa triste.
Acostumei-me a deixar presente todas as ausências que habitam em mim.
Quando - quase - se vão, aí sim. Entristeço e lamento a perda -
especialmente a de tempo; que nesse tempo todo vivi.
E volto a negativa afirmativa, posto seguir com mais essa.
Mais essa ausência a habitar em mim.
E, hoje, especialmente hoje,
quase... Quase uma se vai.
Entristeci
...







Convído-os à leitura de POWER: http://norastrodapoesia.blogspot.com/2008/11/power.html
Por Taninha Nascimento.
Imagem disponível no Google Imagens.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

à mercê

Descobrimento do Brasil, Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo, 1887. Acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro



Operários, de Tarsila do Amaral: um retrato da miscigenação brasileira




reverberar o breu opaco
do silêncio da voz
- à mercê de palavras
cheias de vazios em cada signo
traduzido em sons -,
é o que posso dizer da cor
das tuas e das minhas íris - que envolvem
nossas pupilas atentas à justiça que tarda
e falha desde vinte dois de abril de mil e quinhentos.



ah, nossos olhos... tão mudos e atentos...





por taninha nascimento

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Grande estupidez




Sabe...

Bobagem tua, ou mesquinhez
Essa coisa de estampar a minha ausência
Em cada novidade ou mesmice tua
Bobagem tua
Sei que lembras e lamentas - sim -
A minha quase perda, quase esquecimento, quase...


Bobagem, bobagem tua
Finges que não me vês
Finges que não me lês...
Mesquinhez, mesquinhez, nesse ponto - mesquinhez
E, se achas que isso me chateia
Vá lá... Talvez...


Brindemos, então:
À nossa grande estupidez!



Por Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Fale por mim...



Não sei dizer da dor
- que em ti é bela -
Nem do pranto
- que em ti é encanto.


Mas sei - quando te leio -,
morrer ao pé de cada letra
meus olhos experimentam
um pouco
...
Um tanto.
Por Taninha Nascimento
Imagem disponível o Google Imagens

O meu impossível ( FLORBELA ESPANCA )

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!
Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...
Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...
Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...

domingo, 26 de julho de 2009

praga (ou poeminha safado)

tolo é você que pensa que não é
você, você mesmo
com essa cara de safado
com esse ar de desgraçado
com esse cheiro de mulher

você que tinha os olhos cor da lua
que mexia em meus cabelos
me olhava com medo
e me fazia cafuné

cuspirei no seu sorriso
pisarei no seu calo
esmagarei o seu abraço

por onde passar
há de causar horror
um cheiro podre
exalará ad infinitum

e assim quando vier
maldito mal cheiroso mal vestido
encontrará a casa fechada
e qual fênix a sua mulher


Adriana Godoy



Visitem o Blogger da autora: "Voz"
http://driaguida.blogspot.com/
http://driaguida.blogspot.com/2009/07/praga-ou-poeminha-bobo.html

sábado, 25 de julho de 2009

Tronco oco - micro conto



Certa vez ouvi de um sábio tronco oco:
"Não desprezes um velho amigo por ter ganho outro..."

Ah, tronco oco...
Pena nem todos cruzarem teu caminho.
Pena os poucos passantes não ouvirem - sequer - teu sussurro.

Passei aqui por acaso.
Por solidão.
No frio.
No escuro.

[...]



Por Taninha Nascimento

elementar...



falando em verdades,


a liberdade é mesmo boa...
desejo de sentir-se preso;
é mentira mentira e ainda mais mentira
que de ti também ecoa


ora ora ora...
tão elementar quanto óbvio
é saber que as nuvens são as mais livres de todas
as formas de vida que levitam


quando presas, sucumbem em prantos preferindo a morte.
elas sabem - longe longe longe voltarão
...

e - novamente em prantos -
para outras mãos.









Por Taninha Nascimento

quinta-feira, 23 de julho de 2009

surpresa












a surpresa foi maior que a recompensa.

dedicação e amizade - quando oferecidas -
é via de mão única;
sem retorno.

só de ida.




Por Taninha Nascimento

Teus olhos



O azul dos olhos teus
é como céu de todo dia.
Nuvens fazem dele novidade;
expectativa.


Saudade...


Por Taninha Nascimento

quarta-feira, 22 de julho de 2009

PRETÉRITO PERFEITO





Dois dias
e foi armada a confusão.

Nem idéias estúpidas se moveram
nem as fortes tensões,
interromperam um só pensamento.
Nem as explosões salvaram o mundo
só a vida justifica o fim de todos vocês.
Se nada se entende...
- O amor não vem de forma fácil !
(Cibele Camargo - do Livro "A Vida Além da Sua")





Visitem o blogger da escritora:

domingo, 19 de julho de 2009

memória íntima

tua boca
universo de versos
que desenho sobre
o nada

é como um
pássaro no vôo

beleza distante
tatuada em mim


Lau Siqueira
do livro: TEXTO Sentido - 2007

Visitem o Blogger do autor:
http://poesia-sim-poesia.blogspot.com/

sábado, 18 de julho de 2009

tontura



tontura - como em elevador -
é a recordação tua em meus sentidos.
e, meus passos não tão firmes,
resultam disso.



é aqui que me dá nervoso
essa calma tua...
queria subir sem ter medo de altura
queria resistir a lembrar do chão.




por Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google

salivas




esta minha dor de ouvido
perpetua um poema dito entre salivas
de linguagens - quase - mudas


e, esta ansiedade toda,
é a falta delas misturada ao sabor de uvas
em suco. Sede, secura...


Por Taninha Nascimento

Contentamento

Nada e tudo, é tudo...
Nada...Tudo...Tempo...
Disso posso dizer, resumo.
Disso posso dizer, contentamento.
Eternidade que começa e acaba
Momento após momento.
By Taninha Nascimento

quinta-feira, 16 de julho de 2009

quietude


Adicionar imagem

quietude

- enquanto tudo gira tal qual a Terra -

onde já nem sinto meus pés no chão

tamanha a emoção de me sentir viva.

gratidão pode ser a palavra que resuma

todo este estado de levitação.

quietude pode ser a palavra que resuma

os sentidos




Por Taninha Nascimento

terça-feira, 14 de julho de 2009

Aquela única gota













Porque aquela única
gota, na pia da cozinha,
já não me atrapalha
tanto,


porque a luzinha
verde, do relógio de
microondas, já não me
deixa tão perturbado,
três cômodos ao lado,
não me impedindo,
sequer, de manter
meus olhos
fechados e
dormir,

mas porque, também,
o papel do bombom que
eu te dei, solto ao léu, no
chão do quarto, ainda me
impede de me concentrar
no jogo de futebol na
televisão,

por isso,
e só por isso,
eu vim.

Marcelo Novaes

Visitem :

sábado, 11 de julho de 2009

Abandono


Ele não entendeu que eu o necessitava quando,
apenas bastava tê-lo ao alcance de minhas vistas.

Tão pouco, quase nada era isso
diante da intensidade do sentimento...

Não, não queria - agora- essa flor assim nascida
entre seu olhar inexistente e canto mudo.

Tão cedo pra sentir esse abandono.
Tão cedo pra me sentir tola, de novo...

É tarde... Volto ao pranto
que pensei já esquecido.




Por Taninha Nascimento

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Teus olhos para mim

Janelas de cor violeta
se abriram para mim.

São tão lindas...
Posso me ver dentro delas

numa casa grande e arejada,
simples e aconchegante...

E eu que admirava o verde e o azul,
ganhei grandes janelas - nessa cor - fumegantes.

Ah... Se ainda, no tom, vier a me surpreender;
violetas para mim...Violetas... Só pra mim...

Agora - meu amor - o que sinto é que do céu de tua boca
violenta tempestade cai sobre a minha...

...Cerram-se nossas janelas
enfim...





Por Taninha Nascimento

terça-feira, 23 de junho de 2009

Canções de acordar



o teu cantar - tão calmo e íntegro -
faz-me entregar a ti
os meus ouvidos



e - de tão contentes -
cantarolamos - docemente -
canções de acordar a gente


para em paz dormirmos.






Por Taninha Nascimento

sábado, 20 de junho de 2009

Atitudes



As minhas atitudes não são - como podem - supor alguns,
precipitadas. E não é que até eu as achava ?...
Mas, não! Elas são sentidas, ressentidas e expressadas.


Atitudes de afeto e decepção,
de mágoa, sim... Mas jamais rancor.
Não me preparo para o desengano


e, quando diante dele, desmaio...
Perco as forças até quase morrer
e levantar com garra, pronta para reagir.


Sim! Reagir à imperfeição de todas as coisas e criaturas,
numa atitude de compreensão e busca pela verdade;
sem segundas intenções, nem terceiras nem quartas...


Me sinto feliz por ser assim
e, busco-me mais...
Preciso muito de mim
para receber você...
Você?
Cadê você?
...


Por Taninha Nascimento





sexta-feira, 19 de junho de 2009

Agudo acorde

Arte de Joe Sorren





Não reclamem, meus ouvidos, a falta de som.
Há que se fazer silêncio para que ouçam
o agudo, acorde agudo da solidão.




E, acostumarem-se a real melodia como fundo musical
dessa vida cheia de falsas expectativas
e ruidos que parecem música; boa música -


mas... nada são.
Escorre o sal.
.
.
.

Por Taninha Nascimento

terça-feira, 16 de junho de 2009

rascunhos
















braços macios e fortes tem
a música
onde, inebriada, desmaia
a poesia

e o mesmo gosto pelo amor as entrelaça
em tons
que sobem e descem
em cores

de rimas e línguas que degustam suas peles
quentes e macias
- rascunhos - onde ainda
se escondem...

Por Taninha Nascimento

o peso das águas











sob a fonte
minhas mãos não suportam
o peso das águas

elas se afastam
e as águas
caem

na terra que come a carne
bebe a água e
se farta

ai
ais
ah...

nasce a flor
Por Taninha Nascimento

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Poesia das Canções...

C'est La Vie [Emerson, Lake And Palmer]
C'est la vie
Have your leaves all turned to brown
Will you scatter them around you
C'est la vie
Do you love
And then how am I to know
If you dont let your love show for me
C'est la vie

Oh c'est la vie
Oh c'est la vie
Who knows, who cares, for me
C'est la vie

In the night
Do you light a lover's fire
Do the ashes of desire for you remain
Like the sea
There's a love to deep to show
Took a storm before my love
Flowed for you
C'est la vie

Oh c'est la vie
Oh c'est la vie
Who knows, who cares, for me
C'est la vie

Like a song
Out of tune and out of time
All I needed was a rhyme for you
C'est la vie
Do you give
Do you live from day to day
Is there no song I can play for you
C'est la vie

Oh c'est la vie
Oh c'est la vie
Who knows, who cares, for me
C'est la vie




É a Vida [Tradução]


É a vida...

Será que as suas folhas todas já ficaram marrons?
Será que você vai espalhá-las a sua volta?
É a vida...
Você ama?
E como vou saber -
se você não deixa o seu amor transparecer pra mim -?
É a vida...

Oh é a vida,
Oh é a vida...
Quem sabe; quem se importa comigo?
É a vida...

De noite,
você acende a chama de um amor?
Será que as cinzas do desejo - por você - permanecem ?
Como o mar,
há um amor profundo demais pra ser revelado.
Precisou de uma tempestade
pra que meu amor chegasse (fluísse) a você.
É a vida ...

Oh é a vida,

Oh é a vida...
Quem sabe; quem se importa comigo?
É a vida...

Como uma canção,
fora do tom e fora do tempo,
tudo o que precisávamos era uma rima pra você.
É a vida...
Você se entrega?
Você vive cada dia?
Se não houver canção, eu posso tocar pra você.
É a vida...

Oh é a vida,
Oh é a vida...
Quem sabe; quem se importa comigo?
É a vida...

domingo, 7 de junho de 2009

Estranho vulcão

Vulcão Kilauea Hawaii





eu queria a inspiração de Machado
e a beleza das linhas de Florbela

a serenidade e calma de Cecília
e o exótico da fala de Clarice

a simplicidade de Cora, eu queria
e ainda a dicção de Assaré

mas na falta de inspiração que em mim ecoa
apenas ouço as vozes de Pessoa

e o escarro Augusto em minha direção
limpando a garganta da Poesia

que em breve lançará a sua lava
queimando e refrigerando...


toda poesia é estranho vulcão.


Por Taninha Nascimento





domingo, 31 de maio de 2009

Versos

A minha paixão por Florbela Espanca é antiga.

Me fascina a sua poética...

A maneira como poetizava seus sentimentos - todos - é única.

Amor, tristeza, saudade, melancolia, solidão, desespero... Nada - para mim -resume Florbela Espanca.


Taninha




Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.

Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

Florbela Espanca - Trocando olhares - 29/07/1916

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Panelinha




Panelinha panelinha

Essa coisinha enjoadinha

Pequenininha

Mesquinhazinha



Panelinha panelinha

Caindo dentro – se percebo –

Saio com um quente

E dois fervendo!!



Panelinha panelinha

Cabe pouco em você

Se já fez algo gostoso

Faça mais! Faça render!



De panelinha, passe a

Panelão!

Cheinha de feijoada, sopão e

Canjão



Chame a Dona Baratinha

Ressuscite Seu Ratinho [espertinho]

Convide também a Luluzinha e

É claro! O Bolinha!



Ah...

Tanta gente faminta, panelinha!!

Eu sou uma delas, que – de fora –

Prefere mesmo as delícias do panelão ...





Por Taninha Nascimento

sábado, 23 de maio de 2009

Presente, sempre...


Sempre presente.


Sempre ...


Ainda que jogado fora – presente


Ainda que rejeitado – presente


Ainda que esquecido – presente


Ainda que morto – presente


Ainda que doa – presente


Presente...


Porque é presente – ainda –


Essa amizade

Ausente ...
Por Taninha Nascimento

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Céu de maio

















É comovente
olhar o céu de maio pela manhã
cujo azul tem perfume de eternidade
e o sol sabor de pressa
de vida...

É comovente
o limite do verde dos morros
contornando o infinito
como bordados bem acabados

envoltos no tom rosa da alvorada
que ainda se espreguiça às sete horas
dessa nova lida
Porque recomeça. Porque combina

Sim
Com toda essa gente que sai de casa
sob esse mesmo céu e sol
e pode ver bordados verdes estendidos ao redor

lá no alto
ao alcance de suas vistas
Não sabendo nada sobre o que virá
no circular dessas vinte e quatro horas

Mas...
São sete...
Sete, já ?!
Ou sete, ainda?!




Por Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Digital





















Não uma folha em branco,
Mas a tela em branco do Word
Não a pena nem caneta, mas o teclado
Não rascunhos, mas arquivos ou deletes

Só mudam os instrumentos
Os sentimentos – iguais – cruzam
Séculos, distâncias, vivências e saberes
Ainda assim, ao Homem, cabe-lhe a digital





Por Taninha Nascimento





Arte:- John William Godward
Pensamentos Distantes

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Perdas e... danem-se!





à noite
todas as perdas
são pardas
- tão iguais
doem tais
e quais -

sem mais,
danem-se
todas!
de mim,
não me
perdi...













Por Taninha Nascimento



Arte: Edward Hopper «Solitary Figure in Theater»

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Essa negra Fulô!

Jorge de Lima - 1895/1953
Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangüê dum meu avô
uma negra bonitinha,
chamada negra Fulô.



Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
— Vai forrar a minha cama
pentear os meus cabelos,
vem ajudar a tirar
a minha roupa, Fulô!


Essa negra Fulô!


Essa negrinha Fulô!
ficou logo pra mucama
pra vigiar a Sinhá,
pra engomar pro Sinhô!


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
vem me ajudar, ó Fulô,
vem abanar o meu corpo
que eu estou suada, Fulô!
vem coçar minha coceira,
vem me catar cafuné,
vem balançar minha rede,
vem me contar uma história,
que eu estou com sono, Fulô!


Essa negra Fulô!


"Era um dia uma princesa
que vivia num castelo
que possuía um vestido
com os peixinhos do mar.
Entrou na perna dum pato
saiu na perna dum pinto
o Rei-Sinhô me mandou
que vos contasse mais cinco".


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
Vai botar para dormir
esses meninos, Fulô!
"minha mãe me penteou
minha madrasta me enterrou
pelos figos da figueira
que o Sabiá beliscou".


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá
Chamando a negra Fulô!)
Cadê meu frasco de cheiro
Que teu Sinhô me mandou?
— Ah! Foi você que roubou!
Ah! Foi você que roubou!


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


O Sinhô foi ver a negra
levar couro do feitor.
A negra tirou a roupa,
O Sinhô disse: Fulô!
(A vista se escureceu
que nem a negra Fulô).


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê meu lenço de rendas,
Cadê meu cinto, meu broche,
Cadê o meu terço de ouro
que teu Sinhô me mandou?
Ah! foi você que roubou!
Ah! foi você que roubou!


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


O Sinhô foi açoitar
sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dêle pulou
nuinha a negra Fulô.


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê, cadê teu Sinhô
que Nosso Senhor me mandou?
Ah! Foi você que roubou,
foi você, negra fulô?


Essa negra Fulô!







Imagem disponível no Google Imagens

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Agridoce



Da tua voz e aridez da tez
tenaz em paz:
Doce acidez
...
Por Taninha Nascimento

sábado, 9 de maio de 2009

Arte Materna



O Ser Mãe:


Beleza... Arte... Fé ...


... Inexplicável é.
Taninha Nascimento

quinta-feira, 7 de maio de 2009




NÃO



SOU



A



FAVOR



DO



ERRO



SOU



CONTRA



O



APEDREJAMENTO



!



eT: nÃo Há mEnSaGem sUbLimInAr!!!!









Taninha Nascimento




TAREFA




Geir Campos


Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.


(Poema do livro Geir Campos: antologia poética, Léo Christiano Editorial. Org. Israel Pedrosa: Rio de Janeiro, 2003, p. 89).


Leia mais sobre Geir Campos em:

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Verbo, se achar...

eu sou o máximo cartoon


Eu... me acho


Tu... te achas

Ele/ela... se acha

Nós... nos achamos

Vós... vos achais

Eles/elas... se acham


... Então... Haja achatice...


Por Taninha Nascimento

terça-feira, 5 de maio de 2009

Poética de Mário Faustino

Balada (em memória de um poeta suicida)





Não conseguiu firmar o nobre pacto
Entre o cosmos sangrento e a alma pura.
Porém, não se dobrou perante o facto
Da vitória do caos sobre a vontade
Augusta de ordenar a criatura
Ao menos: luz ao sul da tempestade.
Gladiador defunto mas intacto
(Tanta violência, mas tanta ternura)



Jogou-se contra um mar de sofrimentos
Não para pôr-lhes fim, Hamlet, e sim
Para afirmar-se além de seus tormentos
De monstros cegos contra um só delfim,
Frágil porém vidente, morto ao som
De vagas de verdade e de loucura.
Bateu-se delicado e fino, com
Tanta violência, mas tanta ternura!



Cruel foi teu triunfo, torpe mar.
Celebrara-te tanto, te adorava
Do fundo atroz à superfície, altar
De seus deuses solares - tanto amava
Teu dorso cavalgado de tortura!
Com que fervor enfim te penetrou
No mergulho fatal com que mostrou
Tanta violência, mas tanta ternura!



Envoi


Senhor, que perdão tem o meu amigo
Por tão clara aventura, mas tão dura?
Não está mais comigo. Nem contigo:
Tanta violência. Mas tanta ternura.
*****


Para saber um pouco mais sobre a vida e obra do poeta Mário Faustino, acesse
Beijos!

*****
Rio Amazonas

tudo passa; a paLavra
ri-se

a gRaça o riSo;


o rio paSSando

Taninha Nascimento

segunda-feira, 4 de maio de 2009

PA LAVRAR





a pa lavra é engraçada
a pa lavra dá pra rir
a pa lavra
lavra
a terra do sentir


By Taninha
Imagem disponível no Google

domingo, 3 de maio de 2009

Bom dia William Shakespeare!!



O Sol inunda a minha cidade
Onde as janelas abertas
de meu apartamento
recebem, com gratidão,
a Vida.



És bem vinda!



Nada de extraordinário aconteceu
Tenho as mesmas cicatrizes
e feridas, ainda abertas,
mas é dia - outro dia -
Claro! Amanheceu...



Hoje, quem me despertou foi o Sol
invadindo as minhas janelas.
Longa noite, longa espera.
Não pude fechar as persianas...
Entra dia!! Estou preparada.



E que Deus me ajude.
Por Taninha Nascimento
Arte: Edward Hopper

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Bizu [aos que têm dificuldades...]



Poética
poema mais ética.

Tirando a ética
sobra pó!


Pô!!



A ética é!
Tirando o que é
sobra tica.

Titica...




Por Taninha Nascimento

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Fio da vida.

V
i
d
a
:
i
d
a
s
v
i
n
d
a
s
.
V
e
i
o
v
a
i
;
f
i
n
d
a
.
.
.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sr. Futuro















Eu não posso ver o amanhã
que, às vezes, muito me assusta.

Mas posso ver o hoje, o ontem...
E manter o passo firme

diante de todas as incertezas
que, a mim, nem pertencem.

Assim, somente assim,
meu rumo é certo.

Assim, somente assim,
ando e saio do lugar.

Assim, somente assim,
Sr. Futuro, te olharei nos olhos

para poder dizer se você
é assim tããão assustador

ou o "lobo que virou bolo"
para, enfim, experimentá-lo!

Fato é, que minhas noites solitárias
têm sido tão tranquilas...

Ah, Deus!! Obrigada...
Hoje, estava uma delícia!!





Taninha Nascimento

domingo, 26 de abril de 2009

Opção

Arte de Claude Monet


Nem vazio
Nem solidão
Opção
De sensação à
Sã ação.










Por Taninha Nascimento

sexta-feira, 24 de abril de 2009

THE END...

























De repente
as coisas perdem o
sentido
ou começam a fazer





De repente
eu estava cega
surda e
muda




e passei a ver...





ouvir...





dizer...





Algo hoje, acabou ou
começou.





Algo hoje, morreu
ou ressuscitou.





Portanto,
hoje,
este dia,
é marcante





em mim.






Por Taninha Nascimento

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ventos urbanos





Sonolenta, uma melodia soava
me reportando às altas montanhas
de certo filme que - outro dia mesmo - revi.

Meus olhos se encheram de relvas verdinhas,
talvez com margaridas, águas cristalinas;
além de algum edelvais? Acho que muitos. Mas...

Aconchegada ao travesseiro e à sonoridade; adormeci.
Ahh!! Logo tive meu sono interrompido por freadas e buzinas,
quando o vento, assobiava forte nas frestas

da janela de alumínio do meu quarto, no quarto andar
do meu prédio. Então passei a ouvir só o lamento estridente
vindo do esmeril - da loja próxima - que alisa e alisa

o lumínio das pobres janelas que não veem as montanhas
lindas que vi mas, em harmonia com o vento, trazem aos
apartamentos belos sons de fazer sonhar e dormir...

Enfim... Já que acordei, levantei!
E, com uma mistura de amor e ódio a minha rua,
abafando todos os sons, liguei bem alto a TV.
Por Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google imagens

domingo, 19 de abril de 2009

HAICAIS - Prof. Jayme

"As 4 Estações de Vivaldi"
Arte: José Isabelino Martins Coelho
Imagem disponível no Google Imagens

Meu querido amigo, Prof. Jayme [3], nos disponibilizou quatro lindos haicais de sua autoria. Apreciemos:

AS 4 ESTAÇÕES

1.

Na tarde de abril,
gotas brincam na vidraça
com ar infantil.

2.

Um frio cristalino.
O vento geme nas frinchas
o som de um violino.

3.

Sorri para mim
a brisa da primavera.
Flores no jardim.

4.

Vibra uma cigarra
ao sol quente do cerrado
cordas de guitarra.
*****
Obrigada, Professor!


[3]Blog do prof. Jayme http://jaymebueno.blogspot.com/

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Por que as pessoas se magoam?

Eis uma pergunta difícil de ser respondida, creio que até pelo mais brilhante psicólogo ou psicanalista.
A questão é que, o que vai por dentro, só a gente sabe...

Decepções podem advir de grandes expectativas em relação ao outro. Grande amizade, carinho, respeito, consideração..., mas só de uma parte, a sua.

As decepções são involuntárias. Você , simplesmente, não as controla; são como cristais que deslisam de suas mãos ao chão... Chance zero de colar os caquinhos.

Tem mais, você pode se decepcionar por se sentir subestimado; inconveniente. Aquele que causa desconforto exatamente na pessoa pela qual você se "apegou". E se "apegou" por ver nessa pessoa virtudes, como: bondade, honestidade, simplicidade, amor ao próximo, verdade... E aí, de repente, não é nada disso... Aquela pessoa é apenas mais um egoísta da face dessa Terra tão grande. Apenas mais um com um colorido e paisagem diferente... Mas, tão somente e apenas mas um...

Aí você pensa... "Acho que o erro é meu. Vejo o que não exite. Leio o que não está escrito. Escuto o que nem foi dito. "

É... É mesmo muito complicado o que vai por dentro da gente...

Então chega aquele momento da decisão. Continuar ou não. Chega o momento da escolha: viver ou não aceitando tudo o que é real ou irreal no outro?

Chega o momento do diálogo. Mas diálogo não há... O outro acha que te conhece, te analisa por cima e "bate o martelo" do juízo...

A falta de diálogo mata toda e qualquer possibilidade de amizade e amor para com o próximo. E a arrogância deste faz você desisir para que possa sobreviver...

É isso. Você se afasta daquela praia até naufragar. Mas não faz mal. Deus acalma o mar e manda socorro, ainda que chova tanto que mar, lágrima e chuva sejam em sua face uma água só...

Por Taninha nascimento

domingo, 12 de abril de 2009

Águas































No mar salgado da mágoa
Chove...
Náufrago:
rosto e águas.
Por Taninha Nascimento

sábado, 11 de abril de 2009

FELIZ PÁSCOA

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Presente que ganhei ...



"POEMA DE GUSTAVO ADOLFO BECQUER"


RIMA XIII - poema de Becquer




Tu pupila es azul y, cuando ríes,
su claridad suave me recuerda
el trémulo fulgor de la mañana
que en el mar se refleja.

Tu pupila es azul y, cuando lloras,
las transparentes lágrimas en ella
se me figuran gotas de rocío
sobre una violeta.

Tu pupila es azul, y si en su fondo
como un punto de luz radia una idea,
me parece en el cielo de la tarde
una perdida estrella.


RIMA XIII – tradução do Prof. Jayme Bueno



Teus olhos são azuis e, quando ris,
a claridade suave me recorda
o tremulante brilho da manhã
que no mar se reflete.

Teus olhos são azuis e, quando choras,
as transparentes lágrimas neles
parecem-me gotículas de orvalho
sobre uma violeta.

Teus olhos são azuis, e se no fundo
como um ponto de luz brilha uma ideia,
parecem-me no céu, no fim da tarde,
duas vagas estrelas.







Foto: Taninha Nascimento

O poema que escolhi como presente


Olá, amigos!

Hoje faço aniversário e saí pela rede em busca de uma poema para "comprar" e me dar de presente. Costumo fazer isso quando vou comprar livros; ate´coloco dedicatória: "Um presente para mim mesma."

Claro que quando vamos procurar algo, procuramos algo que gostamos. No meu caso procurei poemas. E, todo mundo sabe, os poemas que gostamos - na maioria das vezes - nem foram escritos para nós - é claro!!!! rsss. Nós gostamos porque nos identificamos com ele... Porque é "a nossa cara". "Tem tudo a ver" e por aí vai.

Obviamente que, em cada momento que passamos na vida, o toque do poema é "mais fundo" ou "mais raso".

Bem, passeando pela net... Pelos blogs... Enfim, escolhi um poema para me dar de presente, pois me tocou profundamente...


Caminho Indireto









Talvez eu devesse ter um romance
tomar banho de sol quando
tudo é inverno.

Talvez eu devesse te levar a sério
sair da rotina, romper o pacto
com o tédio.


Talvez eu devesse aproveitar o dia
e acolher a sofia de uma nova
cor e idéia.


Talvez eu devesse ser lua adversa
ser mais ato e muito menos
conversa.


Talvez eu devesse ser manifesta
e [te] mostrar de uma só vez:


─ o caminho que vai, indireto,
das Índias às minhas cobertas!...







Hercília Fernandes, in: Caminho Indireto
Declamação de Fernado Cisco Zappa
Foto: Taninha Nascimento

sexta-feira, 27 de março de 2009

"nascimento" e "Se"




BARRO CHUVA LAMA

ALMA MALA E CUIA

TORMENTA TORMENTO





"NASCIMENTO"




VELHA VELA ENTULHA

EMBRULHA AGULHA E FURA

SANGUE SUGA SUGA

DOR DOI DODOI

CRIANÇA NOITE ESCURA

NEM CHORA
DORME

SEMPRE ...
MUDA






Por Taninha Nascimento




Imagem disponível no Google Imagens



























*****











SE
Por Luíz de Almeida
Poema do início de 2008


Fez-Se
menina
e fez
meninice


Fez-Se
meninota
e fez
aldravice


Fez-Se
devota
e fez
crendice


Fez-Se
insana
e fez
asnice


Fez-Se
meretrícula
e fez
quatorze


Festejou
bebeu
fornicou


Engravidara


Pariu
e
morreu


Tinha
Tinha
Apenas
Apenas
Quatorze
Quatorze
Anos
Anos





quarta-feira, 25 de março de 2009

Impaciência




Tenho estado um tanto quanto impaciente
Tudo parece me acrescentar Nada


A vida segue em pontos reticentes
Onde o que já há em mim basta!...

E “descobrindo a pólvora” dia após dia
Concluo nada satisfeita:


Invariavelmente; querem-me “fazer de besta”.
.
.
.








Imagem Disponível no Google Imagens
Bye Taninha Nascimento

quarta-feira, 18 de março de 2009

Eterna espiral




Discordo daqueles que veem o tempo
como uma grande linha reta cheia de pontos...
Linha do tempo - infelizmente -nem existe!
Seria bom se assim o fosse; sem ter de rever
pontos - a todo instante- ultrapassados já por mim.
Ainda que a entenda sem começo nem fim.
Pois em mim - a tal linha - sinto assim:
uma grande e infinita espiral
onde passando por ela só avisto
brumas em seu começo e seu final.
Atrás, nascimento. À frente morte...
Ou seja, tudo imutavelmente igual.
Igual só assim. Posto que mais acima
ou mais abaixo - de mais perto - revejo
os pontos pelos quais passei...
Circulo aberto subindo e descendo
sem expectativa de reencontro
dos pontos.
A grande espiral em círculos abertos
vai formando outros e outros círculos como
um grande, muito grande caracol...
Um caracol que vira túnel do tempo.
Cada passo que dou nele, é irreversível.
Contudo visível, e a dor na vista é horrível.
Faz chorar e desejar o impossível:
voltar ou ficar parado.
Mas ficar não dá...
O ponto de trás empurra o da frente e eu vou...
Contente?
Ah... Nem sempre. Mas...
Que vou, vou... Na linha espiral
que forma o caracol e que me deixa
-apenas -ver os pontos mais próximos e inalcansáveis
com brumas no começo e no final que para todos
indistintamente; é igual.
Plano terrestre
material.
E o celestial?
Ah... Preciso passar por este aqui com cuidado
revendo e reconsiderando.
Mesmo só indo em frente...
Consciente que o ponto que me empurra
atrás me move e, eu já sei, já passei por
cada um deles; sei de todos eles e do
impossível desejo de ficar parada ou voltar.
Sei da dor nos meus olhos ao revê-los
e da impossibilidade de retê-los;
sei bem de cada volta nesse grande ,
muito grande caracol do tempo...
...
...
...
...
...
...
...
...
...
Por Taninha Nascimento
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sábado, 14 de março de 2009

POEMA Pitágoras

Arte de Luiz de Almeida.
Nanquim - Bico de Pena em papel cartão - 80 x 120 cm - Técnica de Durer - 1985/86 - Obra que deu origem ao Acervo da Exposição Retalhos do Modernismo - Quadro de abertura da Exposição.









Olá, amigos.




Já tive a oportunidade de citar um amigo - que muito estimo - Luiz de Almeida [2], a partir de uma postagem que fiz sobre o poeta palestino Mahmud Darwish. Luiz gostou muito da postagem e fez um excelente texto que me mandou por e-mail. Com seu consentimento, publiquei o e-mail chamando-o de Crônica - uma das melhores que já li. Travamos uma espécie de diálogo a partir de seu texto, onde respondia e comentava o seu e-mail: http://norastrodapoesia.blogspot.com/2008/08/uma-crnica.html.




Luiz de Almeida tem um blog chamado RETALHOS DO MODERNISMO:- SEMANA DE ARTE MODERNA DE 22 & MODERNISMO & PERSONAGENS que trata exclusivamente sobre TEXTOS, ESTUDOS, ENSAIOS, ARTIGOS, REPORTAGENS, DEPOIMENTOS, ENTREVISTAS E LIVROS SOBRE:- A SEMANA DE ARTE MODERNA DE 22, PRÉ-MODERNISMO, PRIMEIRA FASE DO MODERNISMO NO BRASIL, SEUS PRINCIPAIS PERSONAGENS ( LITERATURA - ARTES PLÁSTICAS - MÚSICA E OUTROS ).

Além de Pesquisador sobre o Modernismo e os principais personagens que participaram da Semana de 22, desde 1980, Luiz de Almeida é também talentoso na prosa e na poesia, autor do livro de poesias ECOS - 1982/ Luiz A. A. de Almeida - Edição e Capa do Autor - que é talentoso também nas Artes Plásticas : http://www.flickr.com/photos/luizdealmeida/




Em seu blog Luiz de Almeida fez uma maravilhosa postagem sobre LUÍZ ARANHA, um grande poeta desconhecido pela maioria. Inclusive por mim, que fiz Letras...




Fiquei encantada e aqui posto uma de suas poucas poesias.


Para saberem mais sobre a vida e obra desde talentoso brasileiro, visitem o blog do Luiz de Almeida com sua postagem: http://literalmeida.blogspot.com/2009/03/luis-aranha-poeta-modernista-bissexto.html.




Abraços aos amigos leitores,


Taninha








POEMA Pitágoras



Meu cérebro e coração pilhas elétricas
Arcos voltaicos
Estalos
Combinações de idéias e reações de sentimentos
O céu é uma vasta sala de química com retortas cadinhos tubos provetes e todos os
Vasos necessários
Quem me quitaria de acreditar que os astros são balões de vidros
Cheios de gases leves que fugiram pelas janelas dos laboratórios
Todos os químicos são idiotas
Não descobriram nem o elixir da longa vida nem a pedra filosofal
Só os pirotécnicos são inteligentes
São mais inteligentes do que os poetas pois encheram o céu de planetas novos
Multicores
Astros arrebentam como granadas
Os núcleos caem
Outros sobem da terra e têm uma vida efêmera
Asteróides asteriscos
Bolhas de sabão!
Os telescópios apontam o céu
Canhões gigantes
De perto
Vejo a lua
Acidentes da crosta resfriada
O anel de Anaxágoras
O anel de Pitágoras
Vulcões extintos
Perto dela
Uma pirâmide fosforescente
Pirâmide do Egito que subiu ao céu
Hoje está incluída no sistema planetário
Luminosa
Com a rota determinada por todos os observatórios
Subiu quando a biblioteca de Alexandria era uma fogueira iluminando o mundo
Os crânios antigos estalam nos pergaminhos que se queimam
Pitágoras a viu ainda em terra
Viajou no Egito
Viu o rio Nilo os crocodilos os papiros e as embarcações de sândalo
Viu a esfinge os obeliscos a sala de Karnak e o boi Apis
Viu a lua dentro do tanque onde estava o rei Amenemas
Mas não viu a biblioteca de Alexandria nem as galeras de Cleopatra
Nem a dominação dos ingleses
Maspero acha múmias
E eu não vejo mais nada
As nuvens apagaram minha geometria celeste
No quadro negro
Não vejo mais a sua nem minha pirotécnica planetária
Rojões de lágrimas
Cometas se desfazem
Fim da existência
Outros estouram como demônios da Idade Média e feiticeiros do Sabbath
Fogos de antimônio fogos de Bengala
Eu também me desfarei em lágrimas coloridas no meu dia final
Meu coração vagará pelo céu estrela cadente ou bólido apagado como agora erra
Inflamado pela terra
Estrela inteligente estrela averroísta
Vertiginosamente
Enrolando-o na fieira da Via-Láctea joguei o pião da terra
E ele ronca
No movimento perpétuo
Vejo tudo
Faixas de cores
Mares
Montanhas
Florestas
Numa velocidade prodigiosa
Todas as cores sobrepostas
Estou sóTiritante
De pé sobre a crosta resfriada
Não há mais vegetação
Nem animais
Como os antigos creio que a terra é o centro
A terra é uma grande esponja que se embebe das tristezas do universo
Meu coração é uma esponja que absorve toda a tristeza da terra
Uma grande pálpebra azul treme no céu e pisca
Corisco arisco risca no céu
O barômetro anuncia chuva
Todos os observatórios se comunicam pela telegrafia sem fio
Não penso mais porque a escuridão da noite tempestuosa penetra em mim
Não posso matematizar o universo como os pitagóricos
Estou só
Tenho frio
Não posso escrever os versos áureos de Pitágoras !...



LUÍS ARANHA

sexta-feira, 13 de março de 2009

Ser


SER visto RES
Só [a]quém
Do olhar
Por Taninha Nascimento
Arte: Marcos de Oliveira Monteiro

terça-feira, 10 de março de 2009

Museu de cera




Assim como os sapatos podem me tirar
a sensação do verdadeiro chão que piso;
as luvas me mantém sem tato
sobre o que me cai nas mãos...


Óculos escuros me escondem
a beleza do dia e minhas olheiras e olhos .
E, a roupa, me cobre exatamente
o que não quero revelar...


Sou um desses seres que vivem
sem experimentar a verdade
das coisas que me cercam,
posto que até a maçã parece encerada.


Insincera como uma vela que finge chorar
comungando as dores dos sofridos
como carpideira -cheia de cera, muita cera
entre soluços e prantos desesperados.


Onde estão os sem cera?
Talvez no Museu Madame Tussauds
O de Londres! Quem sabe?


Mas ... Há sim. É só olhar para o alto,
vislumbrar o céu e o próprio interior.
Onde habitam a verdade -
quando queremos encontrá-la...





Por Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google Imagens

domingo, 8 de março de 2009

Dia de...




Hoje é nosso dia:





dia de dieta
dia de tensão pré
dia de cólicas
dia de stress
dia de deprê
dia de afazeres
dia de preocupações
dia de cuidados
dia de sonhos
dia de esperanças
dia de frustrações
dia de saudades
dia de mágoas
dia de ciúmes
dia de lágrimas
dia de alegrias
dia de espelhos
dia de beleza
dia de poesia
dia de meiguice
dia de quebrar
tudo...
dia de perfumes
dia de flores
dia de certezas
dia de dúvidas
dia de fé
dia de muito
mais...

dia normal

paradoxal/
ambiguo

dia da mulher...





Por Taninha Nascimento
Arte de Di Cavalcanti

terça-feira, 3 de março de 2009

Sentidos



Ela está assustada com o que sente
e sente sem saber.



Sem se saber sente;
sem sabê-lo o sente



e sente muito por sentir tanto...







Por Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google Imagens

domingo, 1 de março de 2009

Versos meus.



O perfume mais gostoso vem no vidro frágil do corpo
Do suor do rosto e resto daqueles que transpiram
Um suposto verso e verbo de amor e dor

Pinga do interior do frasco em pequenas gotas
Que podem até borrar palavras e lençóis
Expurgadas com a mistura do suor [e pus]

Findando o mal da ferida escondida
Liberado à luz, líquidos
– que sentimos –
Porque nossos são
Suposto em gotas;
Real entornou...

E, curou.

Ah! Versos meus...
Taninha Nascimento


Arte de Edward Hopper, óleo sobre tela (Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Carta

Pai,
esta carta não é para o sr., pois sei que não poderás lê-la. Ela é para Deus...
Há exato um mês partiste e, eu que não sabia o que era - de fato - saudade, a experimento a cada segundo.
O sr. me faz falta. Sinto tuas mãos, tua voz, teu carinho e teu olhar de amor, tão infinito...
E eu, que não sabia o que era -de fato - amor infinito... Mesmo sendo mãe.
Pai, eu não queria que tiveste ido. Fizemos tudo para que ficasses conosco. Mas Deus também o quis... Acho que Ele sentiu também saudades, há setenta e dois anos estiveste por aqui...
Na verdade, queria fazer um lindo poema, mas não consigo. O pensamento fica confuso e quero dizer tanta coisa, que o poema não sai. Mas posso tentar num real improviso...

Paizinho,
Saudade me ensinaste.
E, dentre tudo que aprendi,
a eternidade - como nunca -
posso sentir...
Ela, não existiria sem
a expectativa do
reencontro.
Nos veremos
sadios...
E, com o Pai,
filhos; irmãos.
seremos.
Para sempre.
Perfeitos.
Unidos.
Em homenagem a meu pai.
Taninha Nascimento

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Caminhos e atalhos


Caminho...


Caminho...


Caminho:
Pedras
Barro
Lama
Caos
Quedas...



Atalho...


Atalho...

Atalho:
Ninhos
Menininhos
Passarinhos
Flores
Cantinhos...


Cheguei...


Fui ficando...


Finquei:
Uma bandeira...
Pequenininha...
Cor do ar
Do tempo
Do lamento
Do arrependimento.



Porque
Demorei...
Taninha Nascimento

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O choro da rocha



A rocha, se esvaindo em prantos, reluz ao sol que sobre ela arde.
Fazendo-a brilhar - enquanto apagar-se deseja -
pelas tristezas que d'alma brotam-lhe.

Lindas são tuas lágrimas...
Em cachoeiras que lavam a alma de rocha
que em ti habita.

Enquanto choras,
rocha amiga,
regas a vida que necessitas.

Lágrimas têm seu destino
que - descendo pelos poros -
se cumprirá:

regarão todas as faces e aos altos céus tornarão.
Levando todos os prantos para - em nós,
como desejamos – voltar, desabar.

Dando-nos mais uma chance de chorarmos.
Mas...
Mais Humanos.
Taninha Nascimento

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Tempo felino



Os dias correm como jaguatiricas;
os anos como guepardos.
E, a vida vai passando...
Tal qual felino solitário.


E o amor?


Ah... Arranha os céus
em altas preces,
rasgando as nuvens.
Trazendo raios e trovões


à terra animal. Sem chuva...
Impedindo o brotar das sementes
que semeei enquanto via o tempo
passar... Sem volta nem revolta.

“... ter saudade até que é ...”

...


Taninha Nascimento

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Tom azinhavrado




Brinquemos e brindemos as manhãs.
Mas, onde? Fico com o olhar à toa, em nada me fixar...
Quero um horizonte mais ou menos infinito.
Ardo por andar lá e, deixo- me estar alguns instantes a sonhar...

E, tanto... Tanto... Tanto se ilude a vontade, que relanceando meus olhos
Vi sobre mim um céu azul com nuvens branquinhas, e um sol
Lindo bojando no ar como se me
Chamassem a ter com eles...

Naquele momento, senti que o relógio nem andava
Como nos outros sonhos.
Eu sabia que sonho era, mas não queria acordar.
Porém percebi um mar sob meus pés de um tom verde acobreado,
Tive medo. Não queria admirá-lo, mas custava-me recusá-lo.

O tom azinhavrado daquele cobre
E minhas atitudes interrogativas e admirativas
Fizeram-me quase afogar
Quando uma mão me acudiu...
E, me levou às alturas, suspensa no ar.
Sua mão era confiável e boa...
Aceitei a ajuda sem medo nem escrúpulos
E estou onde queria estar

Na linha tênue do horizonte onde me reconheço segura.
Longe da vilania, fustigação e impropérios da “terra firme”.
A flutuar – como quem sonha – nem lá nem cá,
Nem cá nem lá...

Entre o céu – por ainda não merecê-lo;
E o mar – por ainda não saber nada e nem nadar.
Não neste estranho e sedutor mar...



Por Taninha Nascimento

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Nós...



Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Divagações sobre Nossa Senhora Desatadora de Nós


Nossa Senhora Desatadora dos Nós é uma santa incomum (ver post abaixo).Não se trata de uma pessoa santificada, como Santa Teresinha, por exemplo, ainda que se refira a Mãe de Deus. Nem tampouco é uma aparição de Nossa Senhora, como é o caso de Nossa Senhora de Fátima.Nossa Senhora Desatadora de Nós é simplesmente um quadro de autor desconhecido, venerado numa igreja da Bavária desde o início do século 18. Nesse sentido, ela é muito parecida com Nossa Senhora Aparecida, que é uma imagem em terracota encontrada num rio. Mas a semelhança acaba aí. Enquanto Aparecida é uma imagem comum de Nossa Senhora que tornou-se objeto de devoção pelos milagres a ela atribuídos, a Desatadora de Nós já foi criada em ação, desatando os nós de uma fita que lhe é trazida por anjos. Ela é deliberadamente a personificação de uma finalidade muito específica (e dela logo falaremos): desatar nós. E, claro, o significado de "nós" aqui é puramente metafórico e abstrato.Enfim, Nossa Senhora Desatadora de Nós é uma santa conceitual e, por isso, moderníssima!Digo isso, porque, ao contrário de todos os outros santos que conheço, ela não age preventivamente (não lhe rogamos proteção) nem posteriormente (não lhe pedimos que nos cure ou corrija um mal). Ela, como o próprio nome diz, opera sobre os "nós".O que é um nó? Intuitivamente, acho que todos concordarão que um nó é qualquer obstáculo que impeça o fluxo livre de uma corrente. Mas impeça apenas parcialmente, um entupimento, ou haveria um transbordamento ou uma explosão. Ou seja, o nó antecede o mal e pode mesmo não deixar que ele chegue jamais a se consumar como um fato negativo, mas temporário e passível de correção ou cura. O nó não é uma paralisação, mas um retardamento, um entorpecimento, que pode anteceder uma ruptura - que por sua vez, tende a ser definitiva.Não tenho certeza, mas acho que podemos assimilar a idéia de nó a idéia de neurose. E assim, Nossa Senhora Desatadora dos Nós torna-se ainda mais moderna e pré-freudiana. Doido, não?http://cafeimpresso.blogspot.com/2009/02/divagacoes-sobre-nossa-senhora.html





Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Oração para Nossa Senhora Desatadora de Nós


Nossa Senhora Desatadora de Nós, rogai por nós. Por mim e por ela, tão enroscados os dois. Ah, Nossa Senhora, desata nós, mas não nos separe. E que entre nós perdure o laço.Nossa Senhora Fazedora de Laços, fazei de nós um laço bem caprichado. Um laço de presente com duas fitas de cor em harmonia e contraste: eu mais ela, igual a nós. Nós enfeitando o presente.Porque às vezes a vida vira um novelo e cada um de nós parece tão sozinho que nem junto se está, nem separado. Ah, Nossa Senhora, desata logo esse fio para que tudo de novo flua feito o rio que corre para mar.Rogai por nós, Nossa Senhora, tão tadinhos nessa nossa cegueira medrosa. Dai-nos a luz, Nossa Senhora, mas aos poucos ou nos cegamos de vez e acabamos devotos de Santa Luzia.Amém
* * * "O quadro de Nossa Senhora Desatadora dos Nós foi pintado por um artista desconhecido por volta do ano 1700 e é venerado em Ausburg, na Bavária, Alemanha, na igreja de St. Peter Am Perlach. Uma cópia desta pintura é venerada em Buenos Aires, Argentina, para onde foi levada pelo bispo Dom Bergoglio.Maria é representada como a Imaculada Conceição. Percebe-se que ela está situada entre o céu e a terra. Sobre a Virgem o Espírito Santo derrama suas luzes. Sua cabeça encontra-se adornada de doze estrelas, que remetem às doze tribos de Israel e aos doze apóstolos.Um dos anjos entrega-lhe uma faixa com nós maiores e menores, separados e juntos. Estes nós simbolizam o pecado original, nossos pecados cotidianos e suas conseqüências que impedem à graça frutificar livremente em nossa vida.Na parte inferior do quadro vemos que a faixa cai livremente. Um nó foi desatado. Há um anjo e um homem e entre eles um cachorro. Dirigem-se a uma igreja. Pode-se ver aí uma referência ao livro de Tobias (6,13), onde o jovem Tobias empreende uma longa e penosa viagem na qual conhece Sara. Sara já se casara sete vezes devido a um demônio que dela se enamorara. Todos os seus maridos morreram na noite das núpcias. Tobias consegue casar-se com ela e voltar à casa de seu pai. Isto significa que para dois corações realmente se encontrarem, há que se desatar primeiro muitos nós." leia mais
Antonio Caetano




Visitem o blog do Cronista Antonio Caetano: "Café Impresso" http://cafeimpresso.blogspot.com/

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Travestida de chitinha




Posso me travestir de chitinha ou chatinha e
ter ranhuras nas minhas almofadadas patas
para melhor tracionar-me.

Quero a velocidade de predadora
das savanas da África, Ásia ou Arábia.

O que vale é correr com a estabilidade de
uma cauda de padrão exclusivíssimo que
não vai me deixar derrapar em qualquer casca
de banana nanica que se joga na frente de
quem deseja derrubar, ainda que seja na curva ou precipício.

Ha!

Pode parar porque você não vai me alcançar.
Sei do que falo, sei do que li vi vivi e senti; sei de você, sei de mim.

Nada a ver...
Nada haverá, nada deverá ocorrer
Não se esqueça: sou veloz tal qual você.



Por Taninha Nascimento

Imagem disponível no Google imagens

haikai





Sem seu cheiro

mata o leão o

filhote alheio














Por Taninha Nascimento

sábado, 31 de janeiro de 2009

Lembranças


Quarta-feira, Janeiro 28, 2009


Para Taninha Nascimento


Ele partiu.
Deixando suas vestes pelo caminho.
De quando meus olhos risonhos seguiam
E hoje, tristonhos, se sabem sozinhos.



Ele partiu.
E o meu peito é vale e é concha aberta
triturada em moinhos.
Mas a saudade é alvura em praia deserta
e alveja os meus escaninhos.
Hercília Fernandes [1]


Olhos como bordas d água

As bordas do beijo acordam o
choro que estava guardado, que
estava grudado por dentro. As
bordas do beijo deslindam
sutil bordado.

E o choro é tão sentido
que silencia o mundo.
Vê-se, de longe, o
gado recolhido.

Ninguém dorme. O céu
é de cimento. O choro
antecipa o susto que aborta
o tempo: lança em pleno vôo.


Nem os grilos ousam ruído.
Cada metro quadrado de vida
pisada percorrida se faz comovido.
Como vida.


As bordas do beijo desatam o choro
e enfileiram as hastes dotrigo.
Amadurecem os vinhos e os
figos. Compactam o tempo nos olhos
que se derramaram.


Águas guardadas nos seios,
espremidas entre os dedos,
pesam. Viram pedra de gelo.


Marcelo Novaes [4]
http://olugarqueimporta.blogspot.com/2008/12/olhos-como-bordas-dgua.html
Postado por Taninha Nascimento. às 12.12.08

Palavras e olhares


Perdida em palavras e olhares

Minhas vistas vagam sem saber

Vagam sem saber o final da estrada do querer...

Do querer e não poder.


Perdida em palavras e olhares

A tristeza, sorrateira, comemora o fim da alegria

Onde quem feliz me fazia

Em breve, já não estaria.


Perdida em palavras e olhares

Eu te digo, não sabia...

Não sabia que o amor compareceria.

E... Sem cerimônias, ficaria.


Perdida em palavras e olhares

A tristeza vitoriosa já sorria (e eu nem via)

Sorria com tamanha crueldade... Sabendo

Sabendo que, em meu coração (perplexo) repousaria


Taninha Nascimento


Este poema foi escrito em: Terça-feira, Outubro 16, 2007

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A forma mais pura do Amor




Elevando meus olhos para os altos céus,
transporto-me para certo lugar
onde me banho de sal e sol.
Iluminando-me; salgando-me.
Fazendo diferença para mim mesma.

Querendo esconder-me no cume de um monte,
onde ventos insípidos e nuvens escuras
jamais me atormentam.
Naquele lugar, abro meus braços,
liberando luz e sabor ao mundo.

Então, baixando humildemente o olhar,
Vejo o quanto é possível,
sem grandiloquencia e simbolismos
- contra ou a favor -
Não ser indiferente a forma mais pura do Amor.


Por Taninha Nascimento

domingo, 11 de janeiro de 2009

O Acadêmico Antonio Carlos Secchin concede entrevista ao jornal O Estado de São Paulo

Olá amigos leitores, ao ler a matéria achei muito interessante e resolvi postá-la aqui. Beijos.



Antologia Pessoal
O poeta e ensaísta Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras, é professor da UFRJ. Organizou, em 2001, a poesia completa de Cecília Meirelles. É autor, entre outros, de Todos os Ventos e Romantismo, além de organizador de volumes de poesias e contos de João Cabral de Melo Neto, Edla Van Steen e Fagundes Varella.


Dê exemplo de um livro bom injustiçado, pelo público ou pela crítica.
As obras poéticas de Alberto da Costa e Silva e de Ivan Junqueira ainda não atingiram a ressonância que merecem. Alberto une, como poucos, inteligência, cultura e sensibilidade. Ivan é das nossas maiores vozes meditativas e elegíacas.


Cite um livro que frustrou as suas melhores expectativas.
Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade. Há alguns anos, estava muito interessado pela prosa das vanguardas, me encantara com as Memórias Sentimentais de João Miramar, do mesmo Oswald. Serafim é exemplo do que considero a histeria do significante, o formalismo modernista em involuntário pastiche de si mesmo.


A boa literatura está cheia de cenas marcantes. Cite algumas de sua antologia pessoal.
A fala final de Morte e Vida Severina, de João Cabral, quando o Mestre Carpina aponta a “explosão da vida” como antídoto à renúncia de Severino. O epílogo de A Intrusa, de Jorge Luis Borges. A cena do Quincas Borba em que Rubião sob apupos, desfila, na cidade natal,como insano imperador de coisa alguma.


Que personagens são tão marcantes que ganharam vida própria na sua imaginação de leitor?
Há nomes que são referências obrigatórias no Olimpo dos personagens: Quixote, Hamlet, Emma Bovary... No panteão brasileiro, são quase cativas as presenças de Iracema, de Capitu, de Macunaíma, de Riobaldo. Mas por que não evocar inesquecíveis personagens de poemas? O velho tupi, em Y-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias. A Teresa, de Castro Alves. A Ismália, de Alphonsus de Guimaraens. A Irene, de Bandeira.


Que livro bom lhe fez mal, de tão perturbador?
A grande arte sempre nos faz muito bem, ainda quando nos derruba. Muitas vezes, inclusive, costuma fazer bem exatamente porque faz mal.


De qual autor você leu tudo, ou quase tudo? Qual o motivo do interesse que ele desperta em você?
João Cabral. Queria conhecer em detalhes a mais prodigiosa e organizada máquina poética de nossas letras, inclusive para averiguar até onde ela não chegava. O risco, para um grande autor, é que os epígonos, indo apenas até onde ele foi, duplicando-lhe o caminho, acabem reproduzindo-o no que ele tem de mais facilmente imitável, em seus meneios estilísticos. Tal prática acarreta o enfraquecimento da voz original, que passa a sofrer os efeitos de uma leitura retroativa contaminada pela diluição de seus próprios imitadores.


Existe algum autor como o qual você jamais perderia seu tempo?
Sim, com todos aqueles que pretendem ensinar as melhores e mais vantajosas maneiras de jamais perder tempo.


Os livros de autoajuda são mesmo todos ruins, ou isso é puro preconceito da crítica e de intelectuais?
O livro sempre encontra o leitor que merece. O problema da autoajuda é sua inarredável propensão ao bom conselho, às fórmulas apaziguadoras e aos clichês edificantes. Literatura não tem nada com isso: não é edificante, é desmoronante.


Cite um livro que você acha que deve ser muito bom mas jamais leu.
A íntegra de As Mil e Uma Noites. Mas não vou passar as noites contando quantas me faltam.
E um livro que começa muito bem e se perde no caminho.
Tenho tendência a perder-me de um livro desses antes que ele se perca de todo. Assim, mantenho a ilusão de que, sem mim, ele acabará se reencontrando em algum lugar, ou em algum leitor.


Que livros ficariam melhores se um pedaço fosse suprimido?
Inúmeros. Alguns, inclusive, ficariam melhores se suprimidos na íntegra.


De que livro você mudaria o final? Por quê?


Mudaria o final de várias fábulas, para que a alegria, o prazer, o corpo e a canção pudessem, de vez em quando, ser vitoriosos.

Cite exemplos de livros assassinados pela tradução e exemplos de boas traduções.
Quando percebo que a tradução é assassina, largo o livro, para não me tornar cúmplice do crime. O que jamais ocorre nas traduções de poesia realizadas por Ivo Barroso, Leonardo Froes e Paulo Henriques Britto.


A literatura contemporânea é muito criticada. Que livro publicado nos últimos dez anos mereceria, para você, a honraria de clássico?
Ao contrário, acho que a literatura contemporânea é excessivamente louvada, sobretudo por seus próprios autores, e muitas vezes, à falta de outros atributos, exatamente por ser “contemporânea”. Para saber, porém, o que disso se tornará clássico, é necessário um pouco menos de presunção: quando a literatura de hoje envelhecer, o leitor de amanhã há de descobrir aquilo que nela permaneceu para além de sua mera adesão a um presente já pretérito. O clássico é um “só-depois”: trata-se de obra que, tendo sido inevitavelmente contemporânea, consegue dialogar com um leitor ainda invisível, mas potencialmente contido nas camadas do texto, numa paciente espera do futuro.


Que obras (brasileiras ou estrangeiras) ausentes nos cânones mereceriam seu voto?
Para ficarmos com os brasileiros: valorizo o ritmo e a ironia às vezes cortante das narrativas de Edla van Steen. Os contos e o memorialismo de Graciliano Ramos, minimizados frente à sua produção romanesca. As magistrais crônicas de Rubem Braga, ignoradas, com raras exceções, pelo meio universitário.


De que livro demolido por críticos você gostou?
Não que ele tenha sido demolido exatamente, mas subavaliado: Pilatos, de Carlos Heitor Cony, é um romance notável, pela irreverência, pelo humor e pela iconoclastia, sob o influxo de uma imaginação, digamos, despirocada.


Quais bons autores você só descobriu alertado pela crítica?
Edgard Telles Ribeiro. Apesar de que, atualmente, acho que cabe mais a mim pedir à crítica que redescubra esse autor que ela mesma me fez descobrir.


Cite um vício literário que você considera abominável.
Na poesia, o maneirismo do minimalismo: a arrogância de supor que qualquer recorte arbitrário do verso chancela a “modernidade” e a qualidade de um texto; a volúpia com que as tribos de poetas entredevoram-se, como se isso tivesse qualquer interesse ou ressonância para além de seus estritos e restritos mundos. A utilização descalibrada da metalinguagem e da intertextualidade, erigidas não em processo, mas em finalidade suprema da obra. Textos sobre textos que remetem a textos, que... Tudo no mundo existe para acabar num livro, sentenciou Mallarmé. Sim, mas sob a condição de sairmos dele - transformados e transtornados.


E que virtude mais preza na boa literatura?
Um preceito, atribuído a Fernando Pessoa, que li há muitos anos: “ser clara e rara”.

O Estado de S. Paulo (SP) 04/01/2009,

domingo, 4 de janeiro de 2009

Versinhos de Ano Novo

Há um ano atrás...







Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008
Versinhos de Ano Novo


Neste primeiro dia do ano

farei uns versos

versos sinceros e doces

pra dizer, sorrindo,"te considero".



Neste primeiro dia do ano

a poesia também comemora

vem com graça, também sorri e demora...

preferindo ficar a ir embora.



Neste primeiro dia do ano

falarei das amizades

das crianças, das saudades ...

de tudo que seja importante.



Neste primeiro dia do ano

direi que sinto a sua falta...

que lamento, que estou sem graça

que espero, um dia, receber o seu perdão.


Neste primeiro dia do ano

quero enxugar as lágrimas...

me por de pé

fortalecer minh'alma .



Neste primeiro dia do ano

preciso, enfim, te dizer

que cada linha aqui escrita

foi escrita para você

Por Taninha Nascimento



Postado por Taninha Nascimento. às Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Fruição Frustrada



Postei este poema numa quarta-feira, aos 28 de novembro de 2007, enquanto "meditava" sobre o conceito do belo...


Beleza, diga-me como apreciá-la
Quero ver-te envolta a mim
Beleza, quero clareza
Certeza do que é belo, enfim...


A fruição que em mim se frustra
Por não saber apreciá-la
Leva-me a percebê-la... Senti-la...
Entendendo que o "Belo"... É amá-la


Ama-se o belo pela sua intencional inteligência
Mesmo quando se mostra paradoxal e híbrido
Brindando ao pluralismo estilístico
Que nem mesmo precisa ser erudito...


Então, rendida aos toques teus
Entorpecida em arrepios d'alma
Entrego-me a ti. Submissa...Beleza...
Deixe-me quieta, calada...


Postado por Taninha Nascimento. às Quarta-feira, Novembro 28, 2007





Taninha Nascimento


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Pó e cinza

Este poema eu fiz numa segunda-feira aos 18 de Fevereiro de 2008 .
Pó e cinza




Falas, então, de cores?
dores?
dissabores?


Você é preto
ou é branco.


Falas de temores?
horrores?
amores ?


Eu ... perto.
Você ... longe.


Fizeste-me pó.
E eu - apenas -
era cinza.





Taninha Nascimento

Postado por Taninha Nascimento. às Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Você me faz sorrir

Este poema eu fiz em dezesseis de outubro de 2007 e postei no mesmo dia.


Ah...
Que bom dar um sorriso.
Daqueles que viram riso
Daqueles que acabam em gargalhada...



Ah...
Como a vida fica boa.
Como é maravilhosa uma coisa à toa
por causa de uma simples risada.



Dá vontade de lembrar...
Reler, fazer o tempo voltar
Só para sentir
Aquilo que me fez sorrir


Mas a vida corre apressada.
O dia-a-dia, cheio de gente zangada.
Gente sofrida...
Gente amarga...



Então, volto ao momento...
Àquele momento gostoso
E, me pego sorrindo de novo
Completamente desarmada...



By Taninha

domingo, 28 de dezembro de 2008

Poesia adolescente -

Esta poesia eu fiz aos 15 anos e dediquei ao Elvis.
Foi a minha primeira .
Foi também a primeira postagem em 16/10/07.




De tudo que existe na gente
Algo a mais a gente sente
Pode ser alegre ou triste
Pode ser bom ou ruim

Como uma folha ressecada
Como uma casa abandonada
Pode ser tudo ou nada
Mas eu sinto mesmo assim

Não sei bem explicar o que é...
E, se lhe explicasse
Você não entenderia
Ou então, riria

Mas eu sei bem o que é
É um vazio dentro da gente
Que por mais que a gente tente
Não consegue disfarçar

É uma saudade danada...
Que encerra
Que mata
E que eu tenho no olhar.

By Taninha Nascimento

sábado, 27 de dezembro de 2008

A lição da chuva

Eis uma das mais lindas crônicas que já li...




Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

A lição da chuva

A leste, o céu está rugindo. Pesadas nuvens cinzentas ocupam todo o horizonte e a tempestade avança lenta, majestosa, desafiadora. Os vidros tremem ao som grave e retumbante dos trovões. Parecem canhões nos subúrbios de uma cidade sitiada prestes a ser tomada pelo inimigo. Mas é domingo e a minha rua descansa, distraída. Ninguém parece se dar conta dos perigos do temporal iminente. Apenas eu, do alto do meu oitavo andar, observo, fascinado. Logo, o risco cor de prata dos relâmpagos rasgará o céu e os trovões serão tão evidentes que ninguém mais poderá ignorar a chuva que virá, violenta - e cruel para muitos.Agora é ainda essa iminência eletrizante e cinza, que mal se ouve de tão grave. Agora sou eu na janela do meu quarto me sentindo um profeta a antever o apocalipse que meus vizinhos, em sua letargia, ignoram. Eis uma mostra da mais completa solidão: a solidão do vidente - pois como compartilhar o que só ele vê?Agora é essa sensação de tragédia pequena, comum e mundana que eu trato de amplificar para dela extrair uma metáfora vaga dos tempos que correm ou, quem sabe, do que me vai por dentro. Porque também me habitam tempestades. Sim, essa beleza bruta também mora em mim. Essa violência contida que mistura dor e alegria desmedidas - isso também sou eu. Um eu que às vezes me ameaça arrebentar o coração e me inundar o peito, transbordante, fértil, imprevisível.Quantas vezes no passado já me aconteceu assim, para o bem e para o mal? Quantas vezes essa loucura que vem do leste me tomou e fui ora estúpido ou genial, ora lúcido ou obscuro, ora nobre ou vil, segundo os ventos indecifráveis que me correm pela alma?Chamam a isso de juventude, porque vem do leste. Que seja, mas o tempo não é remédio. Ensina, sim, a evitar se expor nesses dias nebulosos, a se esconder dessas chuvas torrenciais. A não mais desafiá-los, nem neles se fiar. Nem tampouco nos esplendorosos dias de paz. Ser indiferente à calma e à tormenta, o tempo ensina. Difícil, difícil mesmo, é aprender.Enquanto escrevo, o cheiro inconfundível de pedra molhada se espalha no ar. Volto à janela. Grossos pingos de chuva muito frios já começam a cair e estalam no parapeito. Fecho os olhos e me deixo molhar. Todo presente, qualquer presente, é sempre uma dádiva.

Antonio Caetano


Visitem o blog do autor:http://cafeimpresso.blogspot.com/
Postado por Taninha Nascimento. às Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Indiferença


Sempre amanhece.
Estando eu para o café, ou não.
Sentando à mesa a comer o pão;
sempre amanhece.

Sempre anoitece .
Estando eu para o amor, ou não.
Deitada à cama a sonhar paixão;
sempre anoitece.

E o tempo - fingindo arrepender-se
disso que me faz -
amanhece e anoitece
mas, por mim, não volta atrás.
Por Taninha Nascimento


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Cadê o 2008 que estava aqui?
O Tempo comeu.

Implosão

Arte de Alyssa Monks, Dissipate, 2006 Oil on Linen

As ondas que em si implodem
e, se desconstroem, não
pretendem fazer mal a ninguém.

Ainda que – de sem querer – revolvam a areia e
descubram nela conchinhas, pedrinhas
ou façam boiar tocos e o corpo de alguém.

Controladas são – mesmo – as ondas.
Tanto que tentam evitar ressacas,
devolvendo do mar garrafas.

Sem experimentar-lhes o sabor.
Sem desvendar-lhes os segredos.
Nelas, há grandes receios.

Por Taninha Nascimento
Imagem disponível no google imagens


domingo, 21 de dezembro de 2008

Soneto de Natal

Madona Sistina - de Rafael [Raffaello Sanzio/1513-14 ]




Um homem - era aquela noite amiga,

Noite cristã, berço do nazareno, -

Ao relembrar os dias de pequeno,

E a viva dança, e a lépida cantiga,




Quis transportar ao verso doce e ameno

As sensações da sua idade antiga,

Naquela mesma velha noite amiga,

Noite cristã, berço do nazareno.




Escolheu o soneto... A folha branca

Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,

A pena não acode ao gesto seu.




E, em vão lutando contra o metro adverso,

Só lhe saiu este pequeno verso:

"Mudaria o Natal ou mudei eu?"



Machado de Assis

sábado, 20 de dezembro de 2008

Chuva de lama




Naquele lugar chovia lama do teto
e eu não entendia de onde ela vinha.
Deu-me medo.

Corri para ver se era o fim do mundo.
Lá fora, o céu estava límpido e cheio de estrelas;
mas eram estrelas que fugiam.


Fugiam e eu não sei pra onde e nem do que.
Acordei atônita e com o pulso acelerado.
Passei o dia a pensar nessa possibilidade:

chuva de lama e fuga das estrelas.
Concluí no meu mais profundo silêncio
que, ali, então, traiçoeiramente,
tentaram matar um poeta.



Por Taninha Nascimento



Imagem disponível no Google Imagens

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"Amigos"


O amigo de olhos abertos
não diz ao amigo de olhos vendados
sobre os degraus para cima
e para baixo do corredor da morte .

Ambos são amigos,
mas apenas um é o culpado.
O vendado torce para errar o caminho .
O de olhos abertos torce por um cisco no olho.

Os dois amigos não vão de mãos dadas .
Há duas escadas e não há quem os oriente.
Ao final de uma delas, a sala :
silenciosa, fria. Preparada a espera dos dois.


By Taninha Nascimento
Imagem: contribuição de Marcelo Novaes

sábado, 13 de dezembro de 2008

Homenagem a poesia de Luíz Gonzaga


Tudo em vorta é só beleza

Sol de Abril e a mata em frô

Mas Assum Preto, cego dos óio

Num vendo a luz, ai, canta de dor (bis)

Tarvez por ignorança

Ou mardade das pió

Furaro os óio do Assum Preto

Pra ele assim, ai, cantá de mió (bis)

Assum Preto veve sorto
Pois num pode avuá

Mil vezes a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá (bis)

Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu

Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus..

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Pontos




Até que ponto...

... o ponto de partida
tem um ponto de
chegada

Um toque...

... na flor com espinhos
não representa
uma furada

O limão ...

... azedo
dá pra fazer
a "tal limonada"

A chuva...

... cai trazendo
esperança e
não desgraça?

Até que ponto...

... se dá
sem esperar
nada?

Até que ponto?
Não sei....

... Mas,
se descobrir,
te conto...

... O conto...
... Que ...

... quando se conta,
aumenta
um ponto
...




By Taninha Nascimento

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Se...

Se me vires por aí
Não franza a testa
Não faça festa
Nem diga oi pra mim


Atrase o passo
Ou adiante
Pegue um ônibus
Ou táxi e, se afaste


Sem desgaste
Sem alarde
Sem medo
Sem apego


Faça assim
Como pedi
Finja e fuja
Vá por mim...


Vá por mim...
Vá por mim...
Taninha Nascimento
Arte de Karl Schmidt-Rottluff - Houses at Night (1912)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Pássaro & pássaros

Quando o sol incide em meu
quintal, e o vento roça em
minha mão, eu alço vôo
como posso, em meu
amor de pássaro &




pássaros hão de ser dispersos
ainda que queiramos acolhê-los
em espaços nossos, sonhos,
valsas ou viveiros.




E ainda que vivamos tempo
muito tempo para ouví-los,
vê-los e ver envelhecer os
que amamos,




no final deixamos, sobre nossos
filhos netos ou sobre anônimos,
que mal nos viram,




a luz que fomos e nosso olhar de
pássaros, porque
passamos.


Marcelo Novaes [4]


http://olugarqueimporta.blogspot.com/2008/06/pssaro-pssaros.html

sábado, 6 de dezembro de 2008

Com minhas mãos de prata

Para Tania Nascimento


Deixa eu afagar tuas saudades de Deus com minhas
mãos de prata. Soam talvez como galhos de árvores,
mas são completamente mãos de afagar saudades.


As terras soam também desabitadas, ainda que
minhas mãos as habitem. Ainda que meu rugido
esteja sempre presente. Ainda que eu solte essas
minhas mãos em plena escalada, em plena subida
da íngreme colina de pedra. Ou de prata. Ainda
que eu as solte pra me descobrir como anseio
gráfico sem qualquer apoio, livre no espaço.
E me descubra sendo respirado antes de
respirar-me. Só por isso, já posso afagar
teu suspiro e tuas saudades, porque
entendo ambos.


Deixa eu afagar essas saudades com essas mesmas
mãos que me permitiram escalar e abrir mão no meio
da encosta. Deixa deixe-me encostar uma delas nas
tuas costas, feitas da minha costela.Deixa que ela, a
mão de prata, represente pra você parte daquele
primeiro sopro que nos viu que nos fez nascer.


Eu sei o quanto te dói andar parecendo não reconhecer
nada, nenhuma pedra, nenhum lugar. Nenhuma encosta
para escalar, ou se perder. Nenhum som que te lembre a
antiga música. Nem um uivo ou laivo de fala de nosso
conhecido Deus. Deixe que uma de minhas mãos de
prata - uma ao menos -, tome conta disso. Depois,
dormiremos.


Marcelo Novaes [4]

Visite:http://olugarqueimporta.blogspot.com/2008/12/com-minhas-mos-de-prata.html

domingo, 30 de novembro de 2008

L'ENNEMI (Baudelaire)




Ma jeunesse ne fut qu'un ténébreux orage,
Traversé çà et là par de brillants soleils;
Le tonnerre et la pluie ont fait un tel ravage,
Qu'il reste en mon jardin bien peu de fruits vermeils.

Voilà que j'ai touché l'automne des idées,
Et qu'il faut employer la pelle et les râteaux
Pour rassembler à neuf les terres inondées,
Où l'eau creuse des trous grands comme des tombeaux.

Et qui sait si les fleurs nouvelles que je rêve
Trouveront dans ce sol lavé comme une grève
Le mystique aliment qui ferait leur vigueur?

— O douleur! ô douleur! Le Temps mange la vie,
Et l'obscur Ennemi qui nous ronge le coeur
Du sang que nous perdons croît et se fortifie!


O INIMIGO: uma tradução

(Jayme) [3]

A mocidade, tenebroso temporal,
Onde nunca brilhava a luz de um claro dia,
Porque era tanta a chuva, tanto o vendaval,
Que todas as vermelhas flores destruía.

E agora neste meu outono abandonado,
Que trabalhar agora é árduo para mim
Que desejo repor o terreno estragado
Pela água que caiu sobre o triste jardim.

E talvez que essas flores que agora cobiço
Encontrem nessa lama ou nesse podre lixo
O alimento que as flores as tornará fortes.

- Ó dor! terrível dor! Que o peito me corrói
E o obscuro inimigo a nos espalhar mortes
E que do nosso próprio sangue se constrói.




Jayme Ferreira Bueno, é professor universitário e estudioso de Literatura, com trabalhos publicados na Literatura Brasileira e na Literatura Portuguesa e também em Teoria da Literatura. [***]




Agradeço a preciosa contribuição do Prof. Jayme e indico seu blogger, que trata especificamente de assuntos relacionados à Literatura:
http://jaymebueno.blogspot.com/



Taninha Nascimento

Agonias



Ah... Essa saudade que vem de não sei onde .
E esse medo que, de onde vem, não sei.
Como se estivesse perto a calamidade
e se abreviasse, ainda mais, a vida.

Meu peito pesa como nuvem carregada prestes a chover.
Mas não chove... O vento vem e leva a nuvem
pra longe... E, pra onde, também nem sei...

Como poeira a vagar sem destino,
por vezes, assim me sinto.
Caindo aqui e ali.

Não gosto de sentir tais agonias.
Culpando-me por não estar como quis.
Eu tento... Mas tem horas que não agüento.
E... Permito-me infeliz.




Por Taninha Nascimento


Arte: Paisagem Tormentosa - Rembrandt

Salve-me!




O animal que há em você,
quer ser o que quiser,
estar onde preferir.
Você... Você pode decidir. [não é?]

Quanta liberdade há
Na camuflagem...
Esquilo na terra ou
porco-espinho no tronco.

Tubarão ou golfinho,
na suave luz d água.
Sozinho.
Verde-azul cinza. Oceano...

Pode ser urso polar
e esconder a pele preta.
Pronto!
Afinal, não é questão de esperteza?

É... Deve ser bom ter “esse ar”...
Escolher por casca de árvore
ou maciez das folhas tenras [sem vagar] ...
Há o que reclamar?

Bicho-pau...
raposa- do ártico ...
Que prático!
Mariposa, lebre-ártica.

Coisa fantástica!
Maravilhosos e assombrosos
Disfarces.
Tens mil faces?

Mas qual... Tenha cuidado...
Você está sendo pego e, bem sabe.
Apenas por não poder mimetizar- se.
Apenas camuflar-se...

Concluo [nada] boquiaberta:
não quer salvar-se.
Para atribuir-me
culpa?

Há... Bela desculpa...
Salve-se! [salve-me!]
Taninha Nascimento

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

"Canta"





Ouço em meu olhar
a ave muda que voa

Ecoa em mim seu canto
de silêncio

quando na verdade
pousa

Ave muda que voa
voa...

pousa na verdade
pousa...

Faça ninho e
ponha ovinhos

Muda na verdade
muda...

Canta...


Taninha Nascimento

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Game Over


Se diz o Sol à Vida: "não me procures!".

É - mesmo - chegado

o fim.


Taninha Nascimento



[Imagem disponível no Google Imagens]

sábado, 22 de novembro de 2008

PRÊMIO DARDOS



Os escritores Hercília Fernandes [1[ [http://fernandeshercilia.blogspot.com/] , Luiz de Almeida [http://literalmeida.blogspot.com/] [2] e Lady tanásia [ http://ladytanasia.blogspot.com/], concederam ao meu blogger o
PRÊMIO DARDOS (virtual).
"Com o Prêmio Dardos reconhecemos os valores que cada blogueiro mostra a cada dia no empenho em transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, em demonstrar, em suma, sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.".




Agradeço aos queridos o gesto de reconhecimento ao meu trabalho.
Taninha

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Hai Kai



Apenas para desfocar a visão
abre a cauda
o pavão.

By Taninha Nascimento

terça-feira, 11 de novembro de 2008

POWER

Pensativa - tela de Sima Woiler


Ah... Homem, ser pensante .
Mais feliz serias se fôsses
como as flores, animais, ou pedras.
Dizer-me podes: pecas!

Não me importo que me julgues.
Queria mesmo - por breve momento -não pensar.
Descansar minha mente.
Apagar.

Às máquinas,
alguns têm nos assemelhado.
Qual nada!
Falta-nos botão:
POWER!

Não se trata de morte
ou estado vegetativo.
Alienação? Não...
Trata-se de vida.
Melhor vivida [?].

Não me lembro de tal descanso
nem quando durmo;
se, no sonho -
"mal vividamente" - penso
e amanheço...

Eu... Eu só queria não pensar...
Mas no silêncio ou na voz,
é só o que faço.
Será então - Deus -, que "logo existo"
de fato?









Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google Imagens

terça-feira, 4 de novembro de 2008

EPPUR SI MUOVE


Silêncio e voz são temas recorrentes em canções, poesias e prosas. Na arte e na vida experimentamos vivê-los. Entretanto, nem sempre paramos e refletimos sobre as circunstâncias que os envolvem, sobretudo nas crises. Silenciamos ou, usamos o verbo, sem medirmos ou nos darmos conta das conseqüências deste ou daquele - tanto para a nossa própria história, quanto para a história dos que nos cercam e até da Humanidade.


Quem apaga uma palavra dita? Quem revive o momento para dizer o que não foi dito? Silêncio e voz parecem viver em eterno conflito quando ambos, na verdade, são meios poderosos de comunicação.


O silêncio é - sempre - mais perturbador, claro. No silêncio mora a dúvida, a incerteza. Aquilo "que se pensa e não é dito"... Contudo, quem garante a veracidade das palavras faladas, ou ainda, escritas?


Pois é... Na comunicação perpassam sons, silêncios, palavras, símbolos, gestos... O nosso próprio corpo, que fala.


Na história da humanidade, tudo gira em torno da comunicação.
A comunicação, para mim, é sinônimo de relacionamento. No sentido mais abrangente que possa haver na palavra.


Alguém se relaciona sem se comunicar? Sim, os tiranos... Somente na tirania há este tipo de "relação". Mas, ainda assim, em resposta, há toda uma expressão que se manifesta na "voz" daquele que a ela está submetido - ainda que se cale.


Triste é uma existência onde não houve – jamais – comunicação. Algo que me parece, inclusive, impossível.


Tudo o que eu disse é tão óbvio... [Risos... ].Mas será tão fácil? Não... Não me parece fácil quando penso que, para haver comunicação, é preciso haver sensibilidade. Para haver comunicação, é preciso "ouvir". Saber "ouvir" é fácil? Não!! Claro que não é... Saber ouvir é analisar. Analisar demanda tempo e dedicação. Simplificando: atenção.
Atualmente, difícil se ter a atenção de alguém... Difícil se dar atenção a alguém...
Quando penso que, nem sempre, comunicação significa verdade e justiça. E, quando penso que na comunicação precisa haver, ainda, humildade e compaixão... Sim, compaixão: "Se colocar no lugar de". Nossa...Que difícil...


Sim. Definitivamente, a comunicação, é o que há de mais complicado nas relações humanas. Onde pode haver progresso ou estagnação; vida ou morte. Ou ainda, morte em vida.


A verdade é que a "voz humana", seja ela escrita, falada, cantada, pintada, esculpida ou ainda silenciada ecoará sempre nos "ouvidos" sensíveis a ela. Estes, a "ouvirão" e a perpetuarão.
A Arte e a História comprovam.

Nesta mesma linha de pensamento, me remeto a um poema, ou prosa poética, que recebi e que me encantou esta semana:

EPPUR SI MUOVE

Não se pode calar um homem.
Tirem-lhe a voz, restará o nome.
Tirem-lhe o nome
e em nossa boca restará
a sua antiga fome.


Matar, sim, se pode.
Se pode matar um homem.
Mas sua voz, como os peixes,
nada contra a corrente
a procriar verdades novas
na direção contrária à foz.


Mente quem fala que quem cala consente.
Quem cala, às vezes, re-sente.
Por trás dos muros dos dentes,
edifica-se um discurso transparente.


Um homem não se cala
com um tiro ou mordaça.
A ameaça
só faz falar nele
o que nele está latente.


Ninguém cala ninguém,
pois existe o inconsciente.
Só se deixa enganar assim
quem age medievalmente.


Como se faz para calar o vento
quando ele sopra
com a força do pensamento?
Não se pode cassar a palavra a um homem,
como se caçam às feras o pêlo e o chifre
na emboscada das savanas.


Não se pode, como a um pássaro,
aprisionar a voz humana
A gaiola só é prisão
para quem não entende
a liberdade do não.


Se a palavra é uma chave,
que fala de prisão, o silêncio
é uma ave- que canta na escuridão.


A ausência da voz
é, mesmo assim, um discurso.
É um rio vazio, cujas margens sem água
dão notícia de seu curso.


No princípio era o Verbo-
bem se pode interpretar:
no princípio era o Verbo
e o Verbo do silêncio
só fazia verberar.


Na verdade, na verdade vos digo:
mais perturbador que a fala do sábio
é seu sábio silêncio,
con-sentido.


O que fazer de um discurso interrompido?
Hibernou? Secou na boca, contido?
Ah, o silêncio é um discurso invertido,
modo de falar alto- o proibido.


O silêncio
depois da fala
não é mais inteiro.
Passa a ter duplo sentido.
É como o fruto proibido, comido
não pela boca,
mas pela fome do ouvido.


Se um silêncio é demais,
quando é de dois, geminado,
mais que silêncio- é perigo,
é uma forma de ruído.


Por isso que o silêncio
da consciência,
quando passa a ser ouvido
não é silêncio-
É estampido.







*****

Eppur si muove (*) - Para Leonardo e Clodovis Boff

Texto de Affonso Romano de Santana
(*) "Ainda assim, ela se move" - Frase dita por Galileu, após abjurar (diante da Inquisição) que o
planeta Terra girava em torno do sol.
*****
Este texto eu recebi numa reunião de Coordenadores Pedagógicos. Maravilhoso!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Pois é...

É isso, Gabeira... Mas a tua flecha não foi nem há de ser quebrada.
Ela segue...

By Taninha Nascimento

domingo, 26 de outubro de 2008

O mar, a flor, a arte e o luar


A beleza não é menor
porque moro distante do mar.
Não, não... Apesar de mim,
ele - sempre - estará lá.
A beleza não é menor
por eu não ter ido a Áustria
colher um edelvais.
A flor é linda... Tanto faz...
A beleza não é menor
porque não conheci
o Museu D'Luvre.
“Nós sempre teremos Paris”.
A beleza não é menor
nem por causa do teu desamor... Sou poeta.
E, se existem o mar, a flor, a arte e o luar...
Sempre, sempre valerá a pena sonhar.
A beleza não é menor quando a frase é clichê.
Batida, previsível, recorrente...
Eu só repito o que todos dizem,
por pertencer ao grupo dos insistentes
[que - de repente - mentem],
na esperança de crer que baste.
Não, a beleza não é menor,
nem quando me sacode Hilda Hilst:
"Enquanto faço o verso, tu decerto vives.[...]"
Taninha Nascimento

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ilusión - Marisa Monte & Julieta Venegas

Por falar em ilusão, uma canção tão linda que não resisti a tentação de postá-la como uma poesia...








Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi
Mi corazón desde entonces
La llora diario
No portão
Por ella no supe que hacery se me fue
Porque la deje
¿Por que la deje?
No sé
Solo sé que se me fue
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver
Por ella no supe que hacer