Frases

"Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim". Sigmund Freud

"O poeta finge não conhecer o que já sabe". Cesare Pavese



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Citação

"Escrever é um sofrimento".



Claude Lévi-Strauss





Mas a mim, me "salva"...
[...às vezes...]

Taninha Nascimento

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Confidente


Van Gogh - Noite Estrelada








Eu queria ser confidente tua
e ouvir-te calado.
Lendo em teus olhos fechados
as razões de tua mente
que vaga à noite buscando o
sentido das coisas grandes e pequenas;
apenas por percebê-las parte da vida
vivida ou não.
Confidente tua eu queria ser...
E, talvez, sentir o sabor do sal
em filetes que brotam das rochas verdes
esculpidas sobre o carrara, onde teu perfil
de senhor e dono se enternece
à melodia suave do silêncio das noites rasas
ou profundas.



Por Tania Nascimento

domingo, 1 de novembro de 2009

Poesia da Vida in ABBA: The winner takes it all

Mamma Mia! é um musical adaptado do livro da dramaturga britânica Catherine Johnson, baseado nas canções do grupo pop sueco ABBA, compostas por Benny Andersson e Björn Ulvaeus. O enredo é adaptado do filme Buona Sera, Mrs. Campbell, de 1968, estrelado por Gina Lollobrigida.

Apesar do nome do espetáculo ser retirado da música homônima, de 1976, a trama é ficcional e não a biografia dos músicos nem da carreira do ABBA. Ele conta a história de Sophie, uma garota de 20 anos prestes a se casar, que vive com a mãe, Donna, numa ilha da Grécia, e que não conhece seu pai. Achando o diário da mãe, descobre que ela teve um relacionamento com três homens diferentes num curto período de tempo, logo antes de seu nascimento e que pode ser filha de qualquer um dos três. Resolve então convidá-los todos para seu casamento, para tentar descobrir qual deles é seu verdadeiro pai, que nem sua mãe sabe ao certo.

Björn Ulvaeus e Benny Andersson, que compuseram as músicas originais, estiveram envolvidos no desenvolvimento e produção do musical desde o início. Anni-Frid Lyngstad, cantora e integrante do grupo, participou financeiramente da produção, enquanto a quarta integrante, a loira vocalista Agnetha Fältskog, não teve nenhuma participação, mas esteve presente na estréia do musical em Estocolmo, quando os quatro ex-membros da banda se reuniram pela primeira vez em vinte anos.

O musical inclui, na trilha sonora, grandes sucessos mundiais do ABBA como "Super Trouper", "Dancing Queen", "Knowing Me, Knowing You", "Thank You for the Music", "Money, Money, Money", "The Winner Takes It All", "Voulez Vous", "I Have a Dream" e "SOS", além da canção título. Em 2007, mais de 30 milhões de pessoas ao redor do mundo - 4 milhões apenas em Londres - já haviam visto o musical, que acumula uma bilheteria total internacional de U$2 bilhões desde sua estréia, em 1999, sendo o financeiramente mais bem sucedido da história[1]

O sucesso do musical levou à produção do filme Mamma Mia!, com Meryl Streep, Pierce Brosnan, Colin Firth,Amanda Seyfried, entre outros, lançado nos Estados Unidos em julho de 2008 e, em Portugal e no Brasil, em setembro do mesmo ano, arrecadando mais de U$500 milhões em todo mundo

[http://pt.wikipedia.org/wiki/Mamma_Mia!]




Entretanto, o que me mais me tocou foi a poesia forte dessa letra tão conhecida e antiga - e cena como um todo - na interpretação de Meryl Streep.


domingo, 25 de outubro de 2009

Melancolia do Tempo










Captura o Tempo a Vida.
Ela o prende em seu olhar
por brevíssimos segundos .



Segue o Tempo
levando consigo essa saudade
e, dela falando em toda parte...



Eis a razão da memória:
saudade da Vida.



Eis o motivo da chuva:
melancolia do Tempo




Por Taninha Nascimento
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sábado, 26 de setembro de 2009

Razões



















Em cada ser, suas razões.
Sendo estas a empreender-lhe ações.
Isto, por fim, explica quase tudo.

O que resta - de inexplicável  -
está na opção por não se perceber
as razões alheias.

Estas, então, menores,
fazem toda a diferença.

A isto chamamos balança.
Ou justiça.









Por Taninha Nascimento

domingo, 13 de setembro de 2009

O Cântico dos Cânticos




Eu vejo o mundo mais alto que o mais alto andar do edifício. Não me perco em beijos. [Ósculos]. E largo silêncio inauguro. Mas não fecho os olhos. Nem temo os pés às pedras ou pedregulhos. Sinto, em minhas costas, o peso. Mas não me curvo. Nem quando sobre o esquerdo ombro me pousa o negro corvo. Meu nome se derrama: óleo que se infiltra pelas pregas do solo. Melhor. Assim não escorrego onde piso. Assim perfumo o próprio percurso. Mas me pergunto: amanhã, quem se lembrará da cor do vinho?! Amanhã, quem se lembrará das palavras da esposa ao esposo?!







Marcelo Novaes

http://notaderodape-marcelo-novaes.blogspot.com/2009/09/o-cantico-dos-canticos.html

domingo, 30 de agosto de 2009

Cotidiano







O que menos importa da vida é o tempo ou qualidade.
A sobrevivência de cada dia faz a sua parte.
A opção é difícil num não se dar conta.
Apenas se quer anoitecer e amanhecer nesse cenário;
nesse meio tempo; entre vaias e aplausos.
Agoniza-me dos dois espaços fazer parte.
Palco e platéia -
até que, definitivamente, cerrem  as cortinas.






Por Taninha Nascimento

sábado, 22 de agosto de 2009

Parti

Tela: Além da Janela
Neiva Passuelo



Sim, há uma ausência.

E como quem procura a lógica
saio ao encontro
da possível existência de mim.

Sem mais,
parti.








Por Taninha Nascimento
Imagem:

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Passado - ausências em mim...





Não, o passado não existe!!
e, sinceramente,
isso não é o que me deixa triste.
Acostumei-me a deixar presente todas as ausências que habitam em mim.
Quando - quase - se vão, aí sim. Entristeço e lamento a perda -
especialmente a de tempo; que nesse tempo todo vivi.
E volto a negativa afirmativa, posto seguir com mais essa.
Mais essa ausência a habitar em mim.
E, hoje, especialmente hoje,
quase... Quase uma se vai.
Entristeci
...







Convído-os à leitura de POWER: http://norastrodapoesia.blogspot.com/2008/11/power.html
Por Taninha Nascimento.
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terça-feira, 4 de agosto de 2009

à mercê

Descobrimento do Brasil, Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo, 1887. Acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro



Operários, de Tarsila do Amaral: um retrato da miscigenação brasileira




reverberar o breu opaco
do silêncio da voz
- à mercê de palavras
cheias de vazios em cada signo
traduzido em sons -,
é o que posso dizer da cor
das tuas e das minhas íris - que envolvem
nossas pupilas atentas à justiça que tarda
e falha desde vinte dois de abril de mil e quinhentos.



ah, nossos olhos... tão mudos e atentos...





por taninha nascimento

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Grande estupidez




Sabe...

Bobagem tua, ou mesquinhez
Essa coisa de estampar a minha ausência
Em cada novidade ou mesmice tua
Bobagem tua
Sei que lembras e lamentas - sim -
A minha quase perda, quase esquecimento, quase...


Bobagem, bobagem tua
Finges que não me vês
Finges que não me lês...
Mesquinhez, mesquinhez, nesse ponto - mesquinhez
E, se achas que isso me chateia
Vá lá... Talvez...


Brindemos, então:
À nossa grande estupidez!



Por Taninha Nascimento
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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Fale por mim...



Não sei dizer da dor
- que em ti é bela -
Nem do pranto
- que em ti é encanto.


Mas sei - quando te leio -,
morrer ao pé de cada letra
meus olhos experimentam
um pouco
...
Um tanto.
Por Taninha Nascimento
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O meu impossível ( FLORBELA ESPANCA )

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!
Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...
Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...
Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...

domingo, 26 de julho de 2009

praga (ou poeminha safado)

tolo é você que pensa que não é
você, você mesmo
com essa cara de safado
com esse ar de desgraçado
com esse cheiro de mulher

você que tinha os olhos cor da lua
que mexia em meus cabelos
me olhava com medo
e me fazia cafuné

cuspirei no seu sorriso
pisarei no seu calo
esmagarei o seu abraço

por onde passar
há de causar horror
um cheiro podre
exalará ad infinitum

e assim quando vier
maldito mal cheiroso mal vestido
encontrará a casa fechada
e qual fênix a sua mulher


Adriana Godoy



Visitem o Blogger da autora: "Voz"
http://driaguida.blogspot.com/
http://driaguida.blogspot.com/2009/07/praga-ou-poeminha-bobo.html

sábado, 25 de julho de 2009

Tronco oco - micro conto



Certa vez ouvi de um sábio tronco oco:
"Não desprezes um velho amigo por ter ganho outro..."

Ah, tronco oco...
Pena nem todos cruzarem teu caminho.
Pena os poucos passantes não ouvirem - sequer - teu sussurro.

Passei aqui por acaso.
Por solidão.
No frio.
No escuro.

[...]



Por Taninha Nascimento

elementar...



falando em verdades,


a liberdade é mesmo boa...
desejo de sentir-se preso;
é mentira mentira e ainda mais mentira
que de ti também ecoa


ora ora ora...
tão elementar quanto óbvio
é saber que as nuvens são as mais livres de todas
as formas de vida que levitam


quando presas, sucumbem em prantos preferindo a morte.
elas sabem - longe longe longe voltarão
...

e - novamente em prantos -
para outras mãos.









Por Taninha Nascimento

quinta-feira, 23 de julho de 2009

surpresa












a surpresa foi maior que a recompensa.

dedicação e amizade - quando oferecidas -
é via de mão única;
sem retorno.

só de ida.




Por Taninha Nascimento

Teus olhos



O azul dos olhos teus
é como céu de todo dia.
Nuvens fazem dele novidade;
expectativa.


Saudade...


Por Taninha Nascimento

quarta-feira, 22 de julho de 2009

PRETÉRITO PERFEITO





Dois dias
e foi armada a confusão.

Nem idéias estúpidas se moveram
nem as fortes tensões,
interromperam um só pensamento.
Nem as explosões salvaram o mundo
só a vida justifica o fim de todos vocês.
Se nada se entende...
- O amor não vem de forma fácil !
(Cibele Camargo - do Livro "A Vida Além da Sua")





Visitem o blogger da escritora:

domingo, 19 de julho de 2009

memória íntima

tua boca
universo de versos
que desenho sobre
o nada

é como um
pássaro no vôo

beleza distante
tatuada em mim


Lau Siqueira
do livro: TEXTO Sentido - 2007

Visitem o Blogger do autor:
http://poesia-sim-poesia.blogspot.com/

sábado, 18 de julho de 2009

tontura



tontura - como em elevador -
é a recordação tua em meus sentidos.
e, meus passos não tão firmes,
resultam disso.



é aqui que me dá nervoso
essa calma tua...
queria subir sem ter medo de altura
queria resistir a lembrar do chão.




por Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google

salivas




esta minha dor de ouvido
perpetua um poema dito entre salivas
de linguagens - quase - mudas


e, esta ansiedade toda,
é a falta delas misturada ao sabor de uvas
em suco. Sede, secura...


Por Taninha Nascimento

Contentamento

Nada e tudo, é tudo...
Nada...Tudo...Tempo...
Disso posso dizer, resumo.
Disso posso dizer, contentamento.
Eternidade que começa e acaba
Momento após momento.
By Taninha Nascimento

quinta-feira, 16 de julho de 2009

quietude


Adicionar imagem

quietude

- enquanto tudo gira tal qual a Terra -

onde já nem sinto meus pés no chão

tamanha a emoção de me sentir viva.

gratidão pode ser a palavra que resuma

todo este estado de levitação.

quietude pode ser a palavra que resuma

os sentidos




Por Taninha Nascimento

terça-feira, 14 de julho de 2009

Aquela única gota













Porque aquela única
gota, na pia da cozinha,
já não me atrapalha
tanto,


porque a luzinha
verde, do relógio de
microondas, já não me
deixa tão perturbado,
três cômodos ao lado,
não me impedindo,
sequer, de manter
meus olhos
fechados e
dormir,

mas porque, também,
o papel do bombom que
eu te dei, solto ao léu, no
chão do quarto, ainda me
impede de me concentrar
no jogo de futebol na
televisão,

por isso,
e só por isso,
eu vim.

Marcelo Novaes

Visitem :

sábado, 11 de julho de 2009

Abandono


Ele não entendeu que eu o necessitava quando,
apenas bastava tê-lo ao alcance de minhas vistas.

Tão pouco, quase nada era isso
diante da intensidade do sentimento...

Não, não queria - agora- essa flor assim nascida
entre seu olhar inexistente e canto mudo.

Tão cedo pra sentir esse abandono.
Tão cedo pra me sentir tola, de novo...

É tarde... Volto ao pranto
que pensei já esquecido.




Por Taninha Nascimento

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Teus olhos para mim

Janelas de cor violeta
se abriram para mim.

São tão lindas...
Posso me ver dentro delas

numa casa grande e arejada,
simples e aconchegante...

E eu que admirava o verde e o azul,
ganhei grandes janelas - nessa cor - fumegantes.

Ah... Se ainda, no tom, vier a me surpreender;
violetas para mim...Violetas... Só pra mim...

Agora - meu amor - o que sinto é que do céu de tua boca
violenta tempestade cai sobre a minha...

...Cerram-se nossas janelas
enfim...





Por Taninha Nascimento

terça-feira, 23 de junho de 2009

Canções de acordar



o teu cantar - tão calmo e íntegro -
faz-me entregar a ti
os meus ouvidos



e - de tão contentes -
cantarolamos - docemente -
canções de acordar a gente


para em paz dormirmos.






Por Taninha Nascimento

sábado, 20 de junho de 2009

Atitudes



As minhas atitudes não são - como podem - supor alguns,
precipitadas. E não é que até eu as achava ?...
Mas, não! Elas são sentidas, ressentidas e expressadas.


Atitudes de afeto e decepção,
de mágoa, sim... Mas jamais rancor.
Não me preparo para o desengano


e, quando diante dele, desmaio...
Perco as forças até quase morrer
e levantar com garra, pronta para reagir.


Sim! Reagir à imperfeição de todas as coisas e criaturas,
numa atitude de compreensão e busca pela verdade;
sem segundas intenções, nem terceiras nem quartas...


Me sinto feliz por ser assim
e, busco-me mais...
Preciso muito de mim
para receber você...
Você?
Cadê você?
...


Por Taninha Nascimento





sexta-feira, 19 de junho de 2009

Agudo acorde

Arte de Joe Sorren



Não reclamem, meus ouvidos, a falta de som.
Há que se fazer silêncio para que ouçam
o agudo, acorde agudo da solidão.




E, acostumarem-se a real melodia como fundo musical
dessa vida cheia de falsas expectativas
e ruidos que parecem música; boa música -


mas... nada são.
Escorre o sal.
.
.
.

Por Taninha Nascimento

terça-feira, 16 de junho de 2009

rascunhos
















braços macios e fortes tem
a música
onde, inebriada, desmaia
a poesia

e o mesmo gosto pelo amor as entrelaça
em tons
que sobem e descem
em cores

de rimas e línguas que degustam suas peles
quentes e macias
- rascunhos - onde ainda
se escondem...

Por Taninha Nascimento

o peso das águas











sob a fonte
minhas mãos não suportam
o peso das águas

elas se afastam
e as águas
caem

na terra que come a carne
bebe a água e
se farta

ai
ais
ah...

nasce a flor
Por Taninha Nascimento

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Poesia das Canções...

C'est La Vie [Emerson, Lake And Palmer]
C'est la vie
Have your leaves all turned to brown
Will you scatter them around you
C'est la vie
Do you love
And then how am I to know
If you dont let your love show for me
C'est la vie

Oh c'est la vie
Oh c'est la vie
Who knows, who cares, for me
C'est la vie

In the night
Do you light a lover's fire
Do the ashes of desire for you remain
Like the sea
There's a love to deep to show
Took a storm before my love
Flowed for you
C'est la vie

Oh c'est la vie
Oh c'est la vie
Who knows, who cares, for me
C'est la vie

Like a song
Out of tune and out of time
All I needed was a rhyme for you
C'est la vie
Do you give
Do you live from day to day
Is there no song I can play for you
C'est la vie

Oh c'est la vie
Oh c'est la vie
Who knows, who cares, for me
C'est la vie




É a Vida [Tradução]


É a vida...

Será que as suas folhas todas já ficaram marrons?
Será que você vai espalhá-las a sua volta?
É a vida...
Você ama?
E como vou saber -
se você não deixa o seu amor transparecer pra mim -?
É a vida...

Oh é a vida,
Oh é a vida...
Quem sabe; quem se importa comigo?
É a vida...

De noite,
você acende a chama de um amor?
Será que as cinzas do desejo - por você - permanecem ?
Como o mar,
há um amor profundo demais pra ser revelado.
Precisou de uma tempestade
pra que meu amor chegasse (fluísse) a você.
É a vida ...

Oh é a vida,

Oh é a vida...
Quem sabe; quem se importa comigo?
É a vida...

Como uma canção,
fora do tom e fora do tempo,
tudo o que precisávamos era uma rima pra você.
É a vida...
Você se entrega?
Você vive cada dia?
Se não houver canção, eu posso tocar pra você.
É a vida...

Oh é a vida,
Oh é a vida...
Quem sabe; quem se importa comigo?
É a vida...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Madrugada


Há um silêncio que só se houve na solidão da noite. É preciso ser noite, madrugada alta, e se estar só, inteiramente só, despido até de pensamentos. E se mover pouco e lento, sem ruído, sem esforço, com a exata precisão dos gatos. E então se ouve a vida gestando a si mesma nesse imenso útero que é a noite. Só então se entende o quanto é novo, profunda e inteiramente novo o dia que virá em poucas horas onde pulsa o infinito. Pode-se ouvir esse silêncio pleno, denso, da vida de novo se engendrando - e os ouvidos atentos são também parte desse feto que logo saltará da noite, solar, exuberante, centrífugo: Govinda, Menino Jesus.

Mas agora ainda é o mistério de Maria, da vida brotando de si mesma pela força do Divino Espírito Santo, sob os cuidados do Arcanjo Miguel. Antonio se acomoda nesse silêncio e apenas ouve, grato por essa dádiva tão inesperada quanto desejada: Antonio nada pede porque não há nada a querer além de estar aqui simplesmente, ouvindo.

Novo, novo, novo tão profunda e misteriosamente novo. E tão simples que mal se pode dizer: Corpus Christi!

Mas se ouve. E então tudo é templo.

(Escrevo, mas o teclado novo é tão macio e silêncioso que mais parece uma extensão do meu pensamento que assim nem se pensa quase, escreve-se direto - e de novo tudo é milagre)

Sim, tudo se reveste dessa aura de milagre que é não haver nenhuma necessidade ou causa, do hoje que se vai cria nada ter a ver com o ontem que se vai (ainda que aparentemente haja um cerne que perdure...). E entre um e outro, sem que o fluxo jamais se interrompa, há esse silêncio profundo e delicado que só as mães podem saber na intimidade. Por isso a mulher (cada mulher, toda mulher) é gloriosa e toda mãe deve ser amada e venerada por seu filho. "Obrigado, minha mãe por ter-me pacientemente feito como a noite engendra o dia. Obrigado por me trazer da treva à luz".

Antonio se surpreende por se sentir transbordante de amor minucioso e comovido. Paz, alegria, plenitude. Logo, logo será dia. Que estas palavras sejam como o pão quente, cujo cheiro antecipa os dias antes mesmo dos primeiros raios da aurora.
* * *
Amanheceu. A mente começa a tagarelar feito criança.
Antonio Caetano.
Visite o site do autor: Café Impresso

domingo, 7 de junho de 2009

Estranho vulcão

Vulcão Kilauea Hawaii





eu queria a inspiração de Machado
e a beleza das linhas de Florbela

a serenidade e calma de Cecília
e o exótico da fala de Clarice

a simplicidade de Cora, eu queria
e ainda a dicção de Assaré

mas na falta de inspiração que em mim ecoa
apenas ouço as vozes de Pessoa

e o escarro Augusto em minha direção
limpando a garganta da Poesia

que em breve lançará a sua lava
queimando e refrigerando...


toda poesia é estranho vulcão.


Por Taninha Nascimento





domingo, 31 de maio de 2009

Versos

A minha paixão por Florbela Espanca é antiga.

Me fascina a sua poética...

A maneira como poetizava seus sentimentos - todos - é única.

Amor, tristeza, saudade, melancolia, solidão, desespero... Nada - para mim -resume Florbela Espanca.


Taninha




Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.

Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

Florbela Espanca - Trocando olhares - 29/07/1916

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Panelinha




Panelinha panelinha

Essa coisinha enjoadinha

Pequenininha

Mesquinhazinha



Panelinha panelinha

Caindo dentro – se percebo –

Saio com um quente

E dois fervendo!!



Panelinha panelinha

Cabe pouco em você

Se já fez algo gostoso

Faça mais! Faça render!



De panelinha, passe a

Panelão!

Cheinha de feijoada, sopão e

Canjão



Chame a Dona Baratinha

Ressuscite Seu Ratinho [espertinho]

Convide também a Luluzinha e

É claro! O Bolinha!



Ah...

Tanta gente faminta, panelinha!!

Eu sou uma delas, que – de fora –

Prefere mesmo as delícias do panelão ...





Por Taninha Nascimento

sábado, 23 de maio de 2009

Presente, sempre...


Sempre presente.


Sempre ...


Ainda que jogado fora – presente


Ainda que rejeitado – presente


Ainda que esquecido – presente


Ainda que morto – presente


Ainda que doa – presente


Presente...


Porque é presente – ainda –


Essa amizade

Ausente ...
Por Taninha Nascimento

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Céu de maio

















É comovente
olhar o céu de maio pela manhã
cujo azul tem perfume de eternidade
e o sol sabor de pressa
de vida...

É comovente
o limite do verde dos morros
contornando o infinito
como bordados bem acabados

envoltos no tom rosa da alvorada
que ainda se espreguiça às sete horas
dessa nova lida
Porque recomeça. Porque combina

Sim
Com toda essa gente que sai de casa
sob esse mesmo céu e sol
e pode ver bordados verdes estendidos ao redor

lá no alto
ao alcance de suas vistas
Não sabendo nada sobre o que virá
no circular dessas vinte e quatro horas

Mas...
São sete...
Sete, já ?!
Ou sete, ainda?!




Por Taninha Nascimento
Imagem disponível no Google

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Citação



"Talvez a pergunta vazia fosse apenas para que um dia alguém não viesse a dizer que ela nem ao menos havia perguntado. Por falta de quem lhe respondesse ela mesma parecia se ter respondido: é assim porque é assim."

Clarice Lispector
A hora da estrela
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Digital





















Não uma folha em branco,
Mas a tela em branco do Word
Não a pena nem caneta, mas o teclado
Não rascunhos, mas arquivos ou deletes

Só mudam os instrumentos
Os sentimentos – iguais – cruzam
Séculos, distâncias, vivências e saberes
Ainda assim, ao Homem, cabe-lhe a digital





Por Taninha Nascimento



Arte:- John William Godward
Pensamentos Distantes

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Perdas e... danem-se!





à noite
todas as perdas
são pardas
- tão iguais
doem tais
e quais -

sem mais,
danem-se
todas!
de mim,
não me
perdi...













Por Taninha Nascimento


Arte: Edward Hopper «Solitary Figure in Theater»

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Essa negra Fulô!

Jorge de Lima - 1895/1953

Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangüê dum meu avô
uma negra bonitinha,
chamada negra Fulô.



Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
— Vai forrar a minha cama
pentear os meus cabelos,
vem ajudar a tirar
a minha roupa, Fulô!


Essa negra Fulô!


Essa negrinha Fulô!
ficou logo pra mucama
pra vigiar a Sinhá,
pra engomar pro Sinhô!


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
vem me ajudar, ó Fulô,
vem abanar o meu corpo
que eu estou suada, Fulô!
vem coçar minha coceira,
vem me catar cafuné,
vem balançar minha rede,
vem me contar uma história,
que eu estou com sono, Fulô!


Essa negra Fulô!


"Era um dia uma princesa
que vivia num castelo
que possuía um vestido
com os peixinhos do mar.
Entrou na perna dum pato
saiu na perna dum pinto
o Rei-Sinhô me mandou
que vos contasse mais cinco".


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
Vai botar para dormir
esses meninos, Fulô!
"minha mãe me penteou
minha madrasta me enterrou
pelos figos da figueira
que o Sabiá beliscou".


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá
Chamando a negra Fulô!)
Cadê meu frasco de cheiro
Que teu Sinhô me mandou?
— Ah! Foi você que roubou!
Ah! Foi você que roubou!


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


O Sinhô foi ver a negra
levar couro do feitor.
A negra tirou a roupa,
O Sinhô disse: Fulô!
(A vista se escureceu
que nem a negra Fulô).


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê meu lenço de rendas,
Cadê meu cinto, meu broche,
Cadê o meu terço de ouro
que teu Sinhô me mandou?
Ah! foi você que roubou!
Ah! foi você que roubou!


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


O Sinhô foi açoitar
sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dêle pulou
nuinha a negra Fulô.


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê, cadê teu Sinhô
que Nosso Senhor me mandou?
Ah! Foi você que roubou,
foi você, negra fulô?


Essa negra Fulô!

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Agridoce



Da tua voz e aridez da tez
tenaz em paz:
Doce acidez
...
Por Taninha Nascimento

sábado, 9 de maio de 2009

Arte Materna



O Ser Mãe:


Beleza... Arte... Fé ...


... Inexplicável é.
Taninha Nascimento

quinta-feira, 7 de maio de 2009




NÃO



SOU



A



FAVOR



DO



ERRO



SOU



CONTRA



O



APEDREJAMENTO



!



eT: nÃo Há mEnSaGem sUbLimInAr!!!!






Taninha Nascimento



TAREFA




Geir Campos


Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.


(Poema do livro Geir Campos: antologia poética, Léo Christiano Editorial. Org. Israel Pedrosa: Rio de Janeiro, 2003, p. 89).


Leia mais sobre Geir Campos em:

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Verbo, se achar...

eu sou o máximo cartoon


Eu... me acho

Tu... te achas

Ele/ela... se acha

Nós... nos achamos

Vós... vos achais

Eles/elas... se acham



... Então... Haja achatice...


Por Taninha Nascimento

terça-feira, 5 de maio de 2009

Poética de Mário Faustino

Balada (em memória de um poeta suicida)





Não conseguiu firmar o nobre pacto
Entre o cosmos sangrento e a alma pura.
Porém, não se dobrou perante o facto
Da vitória do caos sobre a vontade
Augusta de ordenar a criatura
Ao menos: luz ao sul da tempestade.
Gladiador defunto mas intacto
(Tanta violência, mas tanta ternura)



Jogou-se contra um mar de sofrimentos
Não para pôr-lhes fim, Hamlet, e sim
Para afirmar-se além de seus tormentos
De monstros cegos contra um só delfim,
Frágil porém vidente, morto ao som
De vagas de verdade e de loucura.
Bateu-se delicado e fino, com
Tanta violência, mas tanta ternura!



Cruel foi teu triunfo, torpe mar.
Celebrara-te tanto, te adorava
Do fundo atroz à superfície, altar
De seus deuses solares - tanto amava
Teu dorso cavalgado de tortura!
Com que fervor enfim te penetrou
No mergulho fatal com que mostrou
Tanta violência, mas tanta ternura!



Envoi


Senhor, que perdão tem o meu amigo
Por tão clara aventura, mas tão dura?
Não está mais comigo. Nem contigo:
Tanta violência. Mas tanta ternura.
*****


Para saber um pouco mais sobre a vida e obra do poeta Mário Faustino, acesse
Beijos!
*****
Rio Amazonas

tudo passa; a paLavra

a gRaça o riSo; ri-se

o rio paSSando

Taninha Nascimento